Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Por Cláudio Humberto | 1 de março de 2020
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O presidente Jair Bolsonaro deixou claro a aliados no Congresso, em conversas reservadas, que nomeou militares para cargos-chave com o objetivo de reduzir a influência ideológica nas decisões e tornar mais efetivas as ações de governo. E também se livrar de algo que deplora: bajulação. “Militares não puxam saco, batem continência, cumprem missão”, resumiu um dos líderes do governo, ao definir o estilo. Isso foi determinante na escolha do novo ministro Braga Netto (Casa Civil).
Escolhas polêmicas
Bolsonaro começou nomeando o general Santos Cruz e outro general, Luiz Eduardo Ramos, para substituí-lo na Secretaria de Governo.
Vá lá e faça
O presidente põe generais na articulação política porque é ele quem formula as estratégias e tudo que precisa é de alguém que as execute.
Governo por último
Políticos em ministérios políticos, segundo essa concepção, defendem, pela ordem, interesses pessoais, partidários, regionais e… do governo.
Missão é missão
General em ministérios ao lado do gabinete presidencial, tipo Casa Civil e Governo, garante o mantra militar “missão dada é missão cumprida”.
Deputados já queimaram R$ 16 milhões em gasolina
Em 13 meses de mandato, os deputados federais eleitos em 2018 já queimaram quase R$ 16 milhões (R$ 15,9 milhões) em combustíveis e lubrificantes. O detalhe é que somente os integrantes da Mesa Diretora (presidente, vices e secretários) têm “direito” à mordomia do carro oficial. Os demais solicitam e embolsam ressarcimento das despesas de abastecimento de carros que eles alugam também por nossa conta.
Por quem rodas?
Em 13 meses, Gleisi Hoffmann (PT-PR) apresentou 468 notas de postos de gasolina, mais de uma por dia. Foram R$ 5,2 mil por mês.
Que tanque é esse?
Cláudio Cajado (PP-BA) deve rodar de caminhão. Entregou 114 notas ao custo de R$ 71,8 mil. Em média, R$ 630 em cada abastecimento.
Maria gasolina
Outra que alega fazer mais de um abastecimento por dia é Maria do Rosário (PT-RS). Foram 409 notas e R$ 51,9 mil de gasolina no tanque.
Vírus eleitor
O governador paulista João Doria, agora com cabelos mais abundantes e mais negros, tenta colar sua imagem de gestor às ações contra o coronavírus. Espremia-se ontem entre dez pessoas durante coletiva.
Anta do ano
No Planalto, desafetos não perdoam Alberto Fraga (DEM-DF): atribuem a ele o troféu “Anta do Ano”, pela ingenuidade de confirmar a jornais hostis a Jair Bolsonaro o recebimento do tal vídeo da discórdia.
Estupidez do ano
O PSDB conseguiu perder um dos políticos mais promissores da nova geração: o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, que se encontra no final do segundo mandato. Indignado com a aliança dos tucanos com seus opositores, Palmeira se aliou ao governador Renan Filho (MDB).
Centrão virou blocão
Alguns deputados dos 14 partidos liderados por Arthur Lira (PP-AL) não gostam de admitir que agora fazem parte do “centrão”. Preferem chamar de “blocão” a impressionante bancada de 351 deputados.
Novato e gastador
O senador Rogério Carvalho (PT-SE) é novato, mas já adquiriu hábito ruim: já é o 4º senador que mais solicita o ressarcimento de despesas variadas. Desde que assumiu, foram R$ 487 mil. Em um ano.
R$ 30 bilhões a mais
O Congresso analisa vetos presidenciais na terça (3). Entre eles, está a proposta que obriga a execução das emendas orçamentárias do relator-geral do Orçamento, que usurpou R$ 30 bilhões do orçamento.
É assustador
O ano está só começando, mas o Portal da Transparência mostra que o governo federal já custou aos pagadores de impostos, até agora, este ano, exatos R$ 373,2 bilhões. Inclui salários, aposentadorias, custeio e programas tipo Bolsa Família. Vai nos custar R$ 3,5 trilhões em 2020.
Contra a malandragem
De férias, como o Congresso, o STF ainda não marcou data para julgar se motorista que recusa fazer o teste do bafômetro pode ser punido. O objetivo do motorista é evitar flagrante, o do STF deve ser salvar vidas.
Pensando bem…
… com o fim do carnaval já tem parlamentar contando os dias até a Semana Santa.
PODER SEM PUDOR
Inauguração solene
Tancredo Neves era favorito para o Senado, em Minas, quando o folclórico Zezinho Bonifácio anunciou que, no caso de vitória, ele trocaria a oposição pelo PDS, de apoio ao regime militar. Tancredo ficou furioso, quis chamar Zezinho de gagá, mas se conteve. Ficou com aquilo remoendo. Dias depois, chamou um assessor: “Aqui. Mande isso para a imprensa: ‘Essa declaração é pura protérvia do deputado José Bonifácio, e certamente decorreu de sua senectude’.”
“Mas, dr. Tancredo, ninguém vai entender isso,” ponderou o assessor. “Eu sei, eu sei. Mas vou ter a alegria de obrigar o Zezinho a inaugurar o dicionário, para saber se me xinga ou agradece”.
Com André Brito e Tiago Vasconcelos
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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