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Brasil Bolsonaro precisa focar na Previdência e não pode errar na economia, diz Moreira Franco

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Moreira Franco sempre foi grande articulador político e um dos expoentes do MDB. (Foto: Valter Campanato/ABr)

Um dos principais auxiliares de Michel Temer, o ministro Moreira Franco (Minas e Energia) afirmou que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem experiência parlamentar suficiente para saber como se negocia no Congresso e que seu problema não será político, mas econômico. Que Bolsonaro precisa focar na Previdência e não errar na economia.

“Ninguém fica 30 anos na Câmara sem aprender”, disse Moreira em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Segundo o ministro, Bolsonaro “não pode errar” na condução da economia para não viver “os mesmos constrangimentos” de outros governos.

1. Como o sr. avalia a vitória de Jair Bolsonaro?

É resultado de um processo que começou nas manifestações de 2013, ainda no governo Dilma. Dava para sentir a insatisfação das pessoas com a situação econômica. A crise fiscal inibiu a capacidade de investimento do governo, as pessoas perceberam que havia um descolamento entre promessas e realidade, pararam de confiar no governo e foram para as ruas. Já naquele momento, começou-se a sentir a presença de uma coisa militar.

2. De um movimento de apoio à ditadura ou a uma figura como Bolsonaro, que diz que não houve ditadura e já defendeu a tortura?

Não era Bolsonaro ou alguém. Pela primeira vez surgiu uma memória positiva da experiência militar. Já em 2013, a pauta era muito mais voltada para questões morais e de valores, como família, segurança e corrupção, do que alternativas para resolver a crise econômica. Bolsonaro expressava esse sentimento, porque teve uma militância na Câmara identificada com uma pauta conservadora e não se dedicou a alternativas para a crise.

3. Ele tem condições para se dedicar à crise?

Sim. A principal é legitimidade. Ele é o presidente eleito por vontade de uma maioria expressiva. É fundamental na vida política o respeito às instituições e o presidente da República é uma instituição.

Apesar de estar no Congresso há 27 anos, Bolsonaro se vendeu como novo, que rechaça práticas da política tradicional. O sr. acha que ele vai conseguir governar sem acordos? Ninguém fica 30 anos na Câmara sem aprender. Ali você tem a possibilidade de conviver e ver como as coisas se resolvem. Bolsonaro tem experiência para isso, sabe como funciona a composição de maioria. Sabe que ao longo dos 30 anos em que ele passou por lá mudou muito —e mudou para pior— como as maiorias se fazem. Sabe o tamanho da dificuldade que os governos vêm tendo para compor maioria.

4. Bolsonaro vai conseguir governar sem o centrão e o MDB?

Ele sabe que precisa do Parlamento e que o Parlamento é onde você constrói suas alternativas. Bolsonaro consegue distinguir como se dão e quais as consequências dos dois tipos de negociação que têm se verificado no Parlamento: um em que o ganho financeiro era o objetivo principal, usado no mensalão, e o outro em torno da execução de políticas publicas. Ele precisa focar o esforço em dois pilares: o teto de gastos e a reforma da Previdência.

5. O ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, disse que quer aprovar ainda este ano pelo menos parte da reforma da Previdência. Isso é possível?

Se houver vontade política, sim.

6. Temer não conseguiu aprovar a proposta. Por que seria diferente agora, com um governo sem força política e quase no fim?

Não conseguiu porque foi vítima de uma campanha moral brutal contra ele, que começou na véspera da votação da reforma [em 17 de maio de 2017, após a aprovação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara, veio a público o conteúdo da delação da JBS, que culminou nas denúncias contra Temer]. Hoje você junta governo que está saindo com o que está entrando.

7. Qual a força do governo Temer para ajudar Bolsonaro a aprovar uma medida impopular?

Um governo, quando começa, começa muito forte. O governo Temer está disposto a se engajar nesse processo, mas quem vai conduzir é o governo Bolsonaro. Pode até ser que ele, neste momento, não se sinta confortável em votar a reforma da Previdência, mas sinalizar que quer, como está sinalizando, já é positivo.

tags: economia

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