Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 20 de setembro de 2018
Muito mais do que a expectativa de vitória no primeiro turno, a estratégia da campanha do candidato Jair Bolsonaro (PSL), de pregar o voto útil imediatamente, tem um objetivo específico: barrar o movimento dos adversários de tentar minar suas intenções de voto pregando justamente o chamado voto útil.
A campanha de Jair Bolsonaro identificou que havia um risco de migração de votos com discurso da polarização dos extremos, principalmente, por parte dos candidatos Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).
Com o isolamento de Bolsonaro no primeiro lugar, e de Fernando Haddad (PT) na segunda colocação, como apontou a pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira (19), as demais candidaturas devem intensificar a estratégia de que só haverá opções no polo da esquerda e da direita sem possibilidade de um candidato de centro no segundo turno.
Integrantes da campanha de Bolsonaro identificaram que este discurso poderia esvaziar a parcela do voto ainda não consolidada do candidato do PSL. Por isso, a mudança da estratégia para fidelizar o voto simpático a Bolsonaro no primeiro turno.
Mesmo com o discurso de definição no primeiro turno, a avaliação em todas as campanhas é a de que essa disputa será definida apenas no segundo turno, principalmente por causa da pulverização de candidaturas.
Depois deles, aparecem Alvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo), com 3% e Henrique Meirelles (MDB) com 2%.
“Então não tenho a menor dúvida de que o Bolsonaro está a um Alvaro Dias, um Amoêdo de vencer no primeiro turno. E a gente sabe que os eleitores dele entendem dessa forma também […] Ninguém aguenta mais um ciclo de PT”, declarou Flávio.
“Ou um Alckmin, também, coisa pequenininha”, ironizou o deputado federal Major Olímpio, que é presidente do diretório do PSL em São Paulo e tem rivalidade histórica com o ex-governador do estado.
Flávio disse não esperar que haja adesão de lideranças de outros partidos ou dos próprios adversários, mas que está convicto de que seus eleitores já perceberam que votar em Bolsonaro no próximo dia 7 de outubro é a única chance de evitar “qualquer risco de o câncer chamado PT ter alguma possibilidade de voltar a comandar esse País”.
Sonho
Antagonizar com o candidato do partido dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que venceram as últimas quatro eleições nacionais, é considerado um “sonho” para a campanha de Bolsonaro.
“Se tiver segundo turno, é nosso sonho ir com ele [Haddad]. Assim como é o sonho deles ir com a gente. Um acha que derrota o outro”, disse Flávio. Segundo ele, a campanha está muito tranquila diante da probabilidade da disputa com o petista.
Isso porque, para o deputado estadual, a maior parte dos brasileiros não vota por uma questão ideológica, por ser de esquerda ou de direita. “Tem uma primeira linha de corte que é quem rouba e quem não rouba. Vai virar uma campanha do bem contra o mal. E a gente é o lado do bem.”
O presidente em exercício do PSL, Gustavo Bebianno, foi ainda mais enfático e afirmou que a democracia brasileira “vem se arrastando ao longo de duas décadas, correndo sempre um risco iminente proporcionado pelo PT e afins, que buscam calar a imprensa e dominar os três Poderes”.
Para ele, os petistas pretendem transformar o Brasil numa Venezuela. “Nós temos nos perguntado: os venezuelanos hoje fogem para o Brasil; se o PT continuar no poder, os brasileiros fugirão para onde? Para a Argentina?”, questionou o dirigente partidário.
Também presente na reunião, o general da reserva do Exército Augusto Heleno (PRP) declarou que Bolsonaro representa a única chance de mudar o panorama político, administrativo e social do País.
“O resto é mais do mesmo, é mentira, é fraude. Vamos encarar mais 20 anos de PT? O País tem condições de encarar isso? Onde teve sucesso esse tipo de administração a qual nós fomos submetidos? Não dá para continuar, a gente precisa mudar”, comentou o militar.
Os comentários estão desativados.