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Política Bolsonaro proíbe o uso dos termos “Vossa Excelência” e “doutor” no governo

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(Foto: Marcos Corrêa/PR)

Um dos decretos assinados nesta quinta-feira (11) pelo presidente Jair Bolsonaro proíbe que funcionários, servidores e integrantes do governo federal utilizem os termos “Vossa Excelência” e “doutor” em comunicados, atos e cerimônias públicas. As informações são do portal de notícias G1 e da coluna de Guilherme Amado, da revista Época.

O texto do decreto prevê ainda que os agentes públicos utilizem, uns com os outros, o termo “senhor” ou “senhora” no tratamento oral e escrito.

O decreto faz parte dos 18 decretos e projetos relacionados às metas dos 100 primeiros dias do governo assinados nesta quinta por Bolsonaro.

De acordo com o governo, a medida visa “promover a desburocratização no tratamento” e “eliminar barreiras que criam distinção entre agentes públicos no âmbito do Poder Executivo federal”.

O governo explicou que a forma de tratamento não valerá para os casos em que haja previsão legal exigindo o uso de algum pronome de tratamento específico ou exigência de outros poderes.

O termo “senhor” também fica proibido para comunicações com autoridades estrangeiras e organismos internacionais, de acordo com o decreto.

O decreto assinado por Bolsonaro é semelhante à portaria assinada há dois anos pelo então prefeito e atual governador de São Paulo, João Doria, que também determinou o fim do tratamento de referência como “Vossa Excelência” ou “Ilustríssimo” nos atos e cerimônias da cidade de São Paulo.

Regime militar

No governo Bolsonaro, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) tem se referido à ditadura militar brasileira como “regime militar” e até “período militar”. Nada sobre “ditadura militar” ou “golpe”.

Sob a condição de anonimato, funcionários da estatal relatam que tiveram textos modificados antes de serem publicados.

“Meu chefe falou: ‘Temos que dar o texto que a diretoria de Jornalismo aprovou'”, afirma uma servidora de uma TV da empresa sobre uma reportagem em que Bolsonaro comentava a ordem de comemorar o aniversário do golpe de 1964. No texto, foi usado o termo “regime militar”.

Repórteres que cobriram manifestações contra o aniversário do golpe também afirmam que tiveram o material modificado pela chefia, que teve de passar pelo crivo da diretoria de Jornalismo, o que é incomum.

Em todo o imbróglio jurídico nacional após Bolsonaro mandar comemorar o 31 de março de 1964, que deflagrou a ditadura, a Agência Brasil não usou nenhuma vez “ditadura” ou “golpe” no texto direto dos repórteres, isto é, fora de fala de terceiros.

Em 2014, no governo Dilma, a EBC fez diversas reportagens especiais, em seus diferentes veículos, sobre os 50 anos do golpe, chamado-o de “golpe” e “ditadura militar”. No governo Temer, também era comum o uso de “ditadura militar”.

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