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Política Bolsonaro saiu à francesa, após tramar até o fim uma maneira de ficar no poder

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(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

É só folhear um desses manuais sobre como virar um CEO em 24 horas, como liderar o time em momentos críticos, que você encontrará uma dezena de conselhos, recomendações e regras. Mas há um pedaço que eles sempre pulam. Como chegar aos postos de liderança. A não ser que você seja o capitão reformado Jair Bolsonaro, que já nasceu sortudo, esquece. Jair, ainda capitão, foi desligado do Exército. Era indisciplinado, chegou a arregimentar uns colegas para detonar umas bombas, por aí.

Muitos anos se passaram. Foi vereador, deputado (passou quase 30 anos como deputado federal) e presidente da República, o mais alto cargo da República. Rodeou-se de ex-colegas (muitos tinham virado generais), tenentes, capitães, coronéis. De tudo um pouco. Criou “chiqueirinhos” para falar com a imprensa. Ele de um lado e os jornalistas do outro. Um modelo diferenciado, mais aberto e com mais mobilidade, permitia que ele conversasse com os eleitores e admiradores.

Jair foi gostando cada vez mais do posto.

Ninguém podia desobedecê-lo. Sua vontade, a lei. Secretárias, mordomos, garçons, pilotos de avião, helicóptero e por aí vai. Gostou tanto que nem ele, nem os seus asseclas começaram a achar interessante ir embora dali. Criaram confusões, barracos e passaram papelão no exterior.

Até que resolveram ficar mais um tempo por ali. Assim começou a ser tramado um golpe de Estado e os assassinatos de nada menos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes.

Deu ruim. A Polícia Federal descobriu a trama cheia de lances novelescos. 37 foram indiciados, entre eles o próprio Jair Bolsonaro. As investigações – que se consumaram graças à delação do ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, tem de tudo desde momentos hilários, protagonizados por militares que mais pareciam trapalhões, até situações seríssimas como a ideia de cometer um atentado contra o presidente da República.

O ministro Alexandre de Moraes deve mandar para Procuradoria-Geral da República o inquérito com centenas de páginas. Mas é difícil que o procurador Paulo Gonet, devolva o material antes do próximo ano.

O material, pelo menos conhecido até agora, tem muitos “buracos”. Há situações estranhas incomuns para esse tipo de ação. Há brechas sobre o comando, sobre a responsabilidade por cada uma das tarefas. E há a repetida afirmação de que os tais golpistas não conseguiam a autorização do Alto Comando para por o plano rua, um risco imenso de uma guerra civil. Mas há uma suspeita ainda maior: a de que Bolsonaro, na hora H, saiu à francesa. (Opinião/Monica Gugliano/O Estado de S. Paulo)

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