Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 21 de setembro de 2019
O presidente Jair Bolsonaro chegará a Nova York, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira (23) com a intenção de neutralizar a crítica internacional motivada pelas queimadas na Amazônia, mas reafirmando o direito do Brasil de desenvolver a floresta.
Poucos países no mundo têm um afeto generalizado como o Brasil, seja pela sua tradição de diplomacia multilateral e “soft power”, seja pela receptividade dos brasileiros ou pelas belezas naturais. Essas qualidades, no entanto, ficaram em segundo plano perante a desconfiança internacional gerada pelo tom das respostas de Bolsonaro às críticas.
O presidente irá se dirigir à Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira (24) em meio à indignação global pelo tratamento do governo com o desmatamento na Amazônia. O governo acredita que as críticas internacionais são injustas, mas suas ações mostram que está preocupado com as possíveis consequências econômicas do episódio.
Fundos de 30 países que movimentam US$ 16 trilhões em ativos exigem ações contra o desmatamento, ao mesmo tempo em que congressistas europeus fazem fila para atacar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O Parlamento da Áustria rejeitou o acordo.
Em resposta, o governo Bolsonaro lançou uma campanha de relações públicas afirmando a soberania do Brasil sobre a Amazônia e o compromisso de proteger e desenvolver de forma sustentável a floresta. Agora, o presidente está levando esta mensagem para a ONU (Organização das Nações Unidas).
“A ONU pode ser uma grande oportunidade para o Brasil se apresentar e esclarecer as linhas da sua política externa e compromisso sobre temas que preocupam e são sensíveis para a comunidade internacional, como é o caso do meio ambiente”, afirmou Sergio Amaral, embaixador do Brasil em Washington até o início deste ano.
Resta saber como Bolsonaro acalmará o medo sobre o desmatamento, enquanto afirma o direito do Brasil de desenvolver a Amazônia. “Estou me preparando para um discurso bastante objetivo. Ninguém vai brigar com ninguém lá”, disse Bolsonaro em uma live nas redes sociais na noite da última quinta-feira (19).
“Tá na cara que eu vou ser cobrado, porque alguns países me atacam, de uma maneira bastante virulenta, dizem que eu sou o responsável pelas queimadas aí pelo Brasil. Nós sabemos, pelos dados oficiais, que queimada tem todo o ano, infelizmente. Quer que faça o quê?”, complementou.
O governo avalia que o clamor internacional é muito desproporcional aos reais danos ambientais. “Isso foi orquestrado por grupos brasileiros que são sistematicamente contra o governo”, disse o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em entrevista. “Eles querem usar qualquer ferramenta à sua disposição para atacar o governo, mesmo que isso prejudique o País.”
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, argumenta que as políticas de desenvolvimento do governo Bolsonaro destacam o quanto os governos anteriores falharam com 20 milhões de pessoas que vivem na região amazônica.
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