Sábado, 25 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de julho de 2026
O Brasil foi o país mais prejudicado pela nova reformulação das tarifas de importação dos Estados Unidos anunciada pelo presidente Donald Trump, segundo análise publicada pelo Financial Times nessa sexta-feira (24). De acordo com levantamento da organização independente Global Trade Alert, a tarifa efetiva aplicada aos produtos brasileiros subiu de 11% para 17,7%, o maior aumento entre os principais parceiros comerciais dos EUA.
Enquanto isso, países europeus passaram a enfrentar tarifas menores. França, Reino Unido, Alemanha e Espanha tiveram redução nas alíquotas efetivas.
A mudança ocorre após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais, no início deste ano, as tarifas amplas anunciadas por Trump em abril de 2025.
Para manter a política tarifária em vigor, o governo americano substituiu a tarifa global temporária de 10% por taxas específicas para cada país, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Segundo George Riddell, diretor da consultoria Goyder, em entrevista ao Financial Times, esse formato dificulta que uma decisão judicial derrube toda a política tarifária de uma só vez. Se um país conseguir reverter a medida na Justiça, a decisão tende a valer apenas para ele.
Mesmo com a reformulação, a tarifa média efetiva cobrada pelos EUA sobre produtos importados permaneceu praticamente estável, em 10,8%, segundo a Global Trade Alert.
Entenda
Na quinta-feira (23), os EUA anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países, sob a justificativa de que essas nações não combatem de forma eficaz a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A taxa entrou em vigor nessa sexta-feira e, como o Brasil já enfrenta uma tarifa adicional de 25%, parte das exportações brasileiras poderá ser taxada em até 37,5%.
Já o governo brasileiro negocia uma resposta à medida e ampliou o apoio às empresas afetadas por meio do Plano Brasil Soberano, que já liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para os setores atingidos.
Europa beneficiada
O estudo mostra que a Europa saiu relativamente beneficiada pela nova política. Bélgica, Espanha e Itália registraram as maiores reduções nas tarifas efetivas, entre 1 e 1,5 ponto percentual.
Segundo Johannes Fritz, diretor-executivo da Global Trade Alert, isso ocorreu porque parte das exportações europeias se enquadra em exceções criadas pelos EUA para produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa.
Além disso, a tarifa básica de 10% aplicada à União Europeia deixou de ser acumulada com outras cobranças, reduzindo o peso total das taxas sobre diversos produtos europeus.
“As tarifas aumentam, principalmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, ainda que ligeiramente”, afirmou Fritz ao Financial Times.
Mais países afetados
Além do Brasil, países da América Latina e da Ásia também foram afetados. China, Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia registraram aumentos entre 0,5 e 1 ponto percentual nas tarifas efetivas.
Embora a União Europeia tenha recebido positivamente as novas tarifas, o bloco teme novas investigações comerciais conduzidas pelos EUA que podem resultar em tarifas adicionais sobre setores industriais.
Caso isso ocorra, a Comissão Europeia mantém preparado um pacote de retaliação sobre cerca de 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 590 bilhões) em exportações americanas, incluindo automóveis, bourbon e soja. (As informações são do g1)
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