Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de junho de 2021
No dia em que Tite decidiu testar o Brasil sem Neymar na Copa América, o time interrompeu a sequência de dez jogos com 100% de aproveitamento. Mas o empate com o Equador em 1 a 1, em Goiânia, tem menos a ver com a ausência do camisa 10, e mais relação com o baixo rendimento dos outros jogadores de ataque. O Brasil pode jogar bem coletivamente sem Neymar. No entanto, seu brilho individual faz muita falta.
O substituto, particularmente, foi bem. Encontrar um jogador que faça o que o craque vinha fazendo não é fácil. Mas ficou a impressão clara de que Lucas Paquetá é hoje quem tem mais capacidade de exercer protagonismo semelhante na equipe brasileira. Tanto quando o titular absoluto não estiver em campo, tal qual um dublê, como ocorreu neste domingo, como dividindo as atenções na criação e conclusão das jogadas.
Tite optou por não colocar Neymar nem depois do empate, o que tornou impossível avaliação do Brasil com ele ao lado de Paquetá. Mas o jovem demonstrou novamente sua versatilidade. Atuou mais adiantado do que a função que tem desempenhado, e organizou as ações ofensivas.
Sem a bola, Paquetá ainda é capaz de fazer uma transição defensiva com velocidade e bom poder de marcação. Com a posse para o Brasil, oferece algumas opções: tanto na condução pelo meio, como Neymar, para chegar ao ataque. Passando por uma participação pelas pontas, associado aos laterais, especialmente do lado direito, onde Emerson atuou. E no que faz de melhor. De frente, dando opções de passes precisos, além de arremates a gol.
Foi assim que conduziu o Brasil no primeiro tempo, servindo Gabigol em chance clara, e iniciando a jogada que terminou com gol de Éder Militão após cruzamento de Cebolinha. Na etapa final, a equipe se desorganizou, cedeu campo para o Equador, que empatou com Mena e se classificou. Já garantido nas quartas de final, o Brasil enfrenta na sexta-feira ou Chile ou Uruguai. E fica com a sensação de que, diante dos testes de Tite na fase de grupos, precisará de força máxima para ir à final.
A questão é quem aproveitou melhor as oportunidades do treinador até agora. Gabigol, titular novamente, foi mais participativo, mas errou o alvo nas chances que teve. Firmino, que jogou por trás do centroavante, oscila entre os jogos. E desta vez esteve mais apagado. A volta de Fabinho ao meio-campo ao lado de Douglas Luiz também parecia suficiente e com o mesmo nível de Fred e Casemiro, mas no segundo tempo o Equador tomou contas das ações e colocou a comparação em dúvida. Certo é que com Renan Lodi a seleção teve bons momentos, até o lateral se machucar. Com trauma na bacia, será reavaliado, e vira dúvida para a sequência da competição.
Mesmo com peças trocadas outra vez, a boa movimentação ofensiva do Brasil rendeu domínio completo das ações e da posse de bola no primeiro tempo. Paquetá foi o principal elo de organização nesse contexto. A mobilidade coletiva da equipe ajudou. Por outro lado, a entrada de Danilo improvisado no lugar de Lodi começou a desorganizar a defesa na etapa final. Após jogo aéreo, o Equador se aproveitou dos jogadores saindo da área. A bola veio de Valencia para Mena, que apareceu livre para chutar cruzado e deixar tudo igual.
Animado com o gol, o Equador tomou as rédeas da partida e assustou a seleção. Mas não a Tite. Que seguia com suas experiências, e lançou Vinícius Junior no lugar de Firmino. No primeiro lance, Paquetá achou o companheiro dos tempos de Flamengo, mas o cruzamento veio forte, e o jovem chegou atrasado. Outras mexidas aconteceram e foram desmontando o Brasil até o fim do jogo – Casemiro, Richarlison, Éverton Ribeiro. Os dois homens de frente novamente somaram muito pouco ao time. Neymar não entrou. Talvez Tite pudesse tê-lo colocado e em algum lance de brilhantismo a vitória voltaria para as mãos do Brasil. Mas sem a necessidade de ganhar, preservar o craque para as fases seguintes foi mais sintomático do que chamá-lo para socorrer o time.
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