Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de junho de 2021
Cinco Estados notificaram 11 casos.
Foto: Agência BrasilIdentificada pela primeira vez na Índia, a variante Delta do novo coronavírus está avançando por todo o planeta e preocupa especialistas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cepa circula por 92 países. No Brasil, o Ministério da Saúde informa que, até o momento, 11 casos já foram detectados, com a confirmação de uma morte. O óbito aconteceu no fim de abril, mas só foi divulgado nesta sexta-feira (25). Somente a Região Norte segue sem incidência da variante.
Os primeiros registros da cepa no País foram confirmados em maio, no Maranhão, entre os tripulantes do navio MV Shandong da Zhi, que atracou em São Luís. No momento, seis entre os 11 casos listados pela pasta federal são de tripulantes da embarcação. Há ainda dois casos de Apucarana (Paraná), e ocorrências individuais nos municípios de Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro), Juiz de Fora (Minas Gerais), e Goiânia (Goiás).
O primeiro caso da Delta no Paraná foi anunciado no início do mês. Uma senhora de 71 anos, que apresentou sintomas, foi hospitalizada e sobreviveu. A senhora teve alta em maio.
O segundo caso confirmado no Estado foi de uma mulher que tinha 42 anos, que acabou morrendo. Ela apresentou sintomas dois dias após chegar ao Brasil. Oito dias depois, ela foi internada. O quadro piorou e, no terceiro dia de hospitalização, ela faleceu após uma cesária de emergência no dia 18 de abril, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira. O recém-nascido prematuro testou negativo para covid-19 e está saudável após dois meses internado.
A secretaria de Saúde do Estado não considera que há transmissão comunitária da Delta na região e informa que aguarda a análise de outras amostras também enviadas para o programa de vigilância realizado em parceria com Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Goiânia, por outro lado, é a única cidade do País a constatar transmissão comunitária da cepa. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o caso da variante Delta foi detectado em um estudo feito em parceria com a Universidade Federal de Goiás, que testou 62 pessoas.
A cepa foi identificada em uma jovem com sintomas leves e sem histórico de viagem. O município informa que outros casos de covid-19 foram confirmados após uma busca ativa da Vigilância Sanitária em contatos próximos da paciente. Apesar disso, como essas pessoas não eram participantes do estudo, não é possível afirmar que também sejam infecções pela Delta.
Tanto no primeiro positivo registrado no Paraná quanto no caso de Goiás, os pacientes não eram considerados suspeitos de infecção pela variante e foram localizados de maneira aleatória por estudos locais de monitoramento genômico.
“Temos uma vigilância genômica, que é a maneira que a gente consegue ver essas cepas, muito ruim no País”, afirma o diretor da Fiocruz São Paulo, Rodrigo Stabeli, também professor de medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e consultor da OMS para genômica.
“Espero que um dos legados que essa pandemia possa nos trazer é justamente reforçar a vigilância em saúde no Brasil, principalmente a epidemiológica que antes era vista como uma ciência e não como um ato de saúde pública. É ela quem consegue prever e planejar as ações que vão dar conta de um surto, seja ele em um local específico ou seja ele numa parte do Brasil”.
De acordo com o especialista, apesar de ser um dos líderes da prática na América Latina, o Brasil ainda está longe de outros lugares no que diz respeito a essa atividade. “Fazemos menos de 1% do que o Estados Unidos, por exemplo”.
Essa ausência de dados acarreta em lacunas de informação. “Nós podemos ter essa variante já circulado. Por isso, precisamos incentivar a vacinação e também o uso de máscaras. A máscara previne qualquer variante, seja ela Gama, Delta ou Alfa”, explica.
“O distanciamento físico também é muito importante. Ninguém está dizendo: ‘Vamos entrar em lockdown porque existe uma variante que pode ser mais infecciosa que outra’. Mas o comportamento individual de não procurar aglomerações também é importante, um ato de saúde pública.”
Mais transmissível
Detectada pela primeira vez em fevereiro na Índia, a variante Delta se tornou uma preocupação global nos últimos meses. Devido à acelerada transmissibilidade, a cepa gera temores de sobrecarga nos sistemas de saúde e ameaça reverter planos de reabertura mundo afora.
Responsável por 91% dos casos no Reino Unido e 96% em Portugal, a variante também avança na Alemanha, França e Espanha, de acordo com uma análise do Financial Times. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) aponta que a cepa é responsável por 10% dos casos no País. A B.1.617.2, nome original da variante, também está presente na Oceania e África.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), em maio, classificou a Delta e suas sublinhas como “variantes de preocupação”.
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