Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de janeiro de 2023
O governo brasileiro vai pedir para que o memorando sobre integração financeira, anunciado nesta segunda-feira (23) em Buenos Aires pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu colega argentino Alberto Fernandez, inclua um trecho que deixe claro que a discussão sobre unidade financeira comum entre os dois países não se trata de uma moeda única.
Ou seja, a nova unidade – que pode se chamar sur (sul, em espanhol) – será usada para transações financeiras e comerciais entre os dois países, e não para substituir o real brasileiro ou o peso argentino.
O objetivo do Brasil com este pedido explícito no acordo é distensionar o ruído causado com a notícia da possibilidade criação de uma moeda comum sul-americana, ou seja, esclarecer que o sur não substituirá a moeda dos dois países.
Ao chegar em Buenos Aires na noite de domingo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que já tratou sobre o assunto com o ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa.
Haddad afirmou que ambos estão buscando alternativas para incentivar o comércio naquele país.
“A gente está quebrando a cabeça para encontrar uma solução, algo em comum que permita incrementar o comércio. A Argentina é um dos países que compram manufaturados do Brasil, e a nossa exportação para cá está caindo. (A solução para impulsionar o comércio) passa por driblar a dificuldade deles, estamos pensando em várias possibilidades”, explicou Haddad.
O ministro esclareceu nesta segunda-feira que o projeto de uma moeda única entre Brasil e Argentina que substitua o real e o peso não existe. Em evento com empresários dos dois países em Buenos Aires, o ministro declarou que o que está em estudo é a viabilidade de uma moeda digital comum que seria usada apenas em trocas comerciais, para reduzir a dependência em relação ao dólar.
Mais uma vez, o ministro esclareceu que a eventual moeda comum não substituiria as atuais correntes e que a ideia é diferente da apresentada pelo governo anterior.
“Recebemos dos nossos presidentes uma incumbência de não adotar uma ideia que era do governo anterior, que não foi levada a cabo, da moeda única. O meu antecessor, Paulo Guedes, defendia muito uma moeda única entre Brasil e Argentina. Não é disso que estamos falando. Isso gerou uma enorme confusão, inclusive na imprensa brasileira e internacional”, declarou Haddad.
De acordo com o ministro, a moeda comum ainda será discutida por um grupo de trabalho, ao longo de vários anos. Para Haddad, a ideia dinamizaria o comércio entre os países latino-americanos de forma melhor que outros instrumentos usados no passado, como o pagamento em moedas locais dispensando o dólar e os Convênio de Pagamento e Créditos Recíprocos (CCR), tipo de câmara de compensação entre os países do continente, abolidas pelo Brasil em 2019.
“Não se trata da ideia de uma moeda única. Trata-se de avançarmos nos instrumentos previstos e que não funcionaram a contento, nem pagamento em moeda local e nem os CCRs dão hoje uma garantia de que podemos avançar no comércio da maneira como pretendem os presidentes”, esclareceu o ministro. As informações são do jornal O Globo e da Agência Brasil.
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