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Mundo Brasileiras são as estrangeiras que mais têm filhos em Portugal

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O país tem enfrentado escassez de trabalhadores, especialmente no setor de turismo. (Foto: Reprodução)

A baiana Elizete Nascimento chegou a Portugal em março de 2019. Além da bagagem essencial para a troca de país, levava na barriga outra mudança importante em sua vida, a filha Luiza, que nasceria em Lisboa dois meses depois. As duas fazem parte de uma tendência que não para de crescer: enquanto o número de recém-nascidos de mães portuguesas registra consecutivas quedas, os de mães brasileiras residentes em Portugal evoluem. As informações são do jornal O Globo.

Dados solicitados pelo jornal O Globo ao Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE) revelam que 28% dos recém-nascidos de mães estrangeiras em Portugal, entre janeiro de 2018 e março de 2019, são filhos de brasileiras. Nasceram 2.682 bebês de gestantes com origem no Brasil diante de um total de 9.651 entre os residentes estrangeiros. Ao todo, incluindo as portuguesas, foram registrados 87.381 partos, o que significa que 11% dos recém-nascidos em Portugal são filhos de estrangeiras.

Além de ser o maior na comunidade estrangeira, o número representa um aumento de 36% em relação aos bebês de mães brasileiras em 2013 (1.965), quando Portugal atravessava uma crise econômica e ainda não era um destino tão cobiçado. A comunidade brasileira residente no país chegou ao recorde de 151 mil pessoas em 2019. Em 2018, quando os residentes eram 105,4 mil, havia mais mulheres brasileiras que homens: 62,5 mil contra 42,8 mil, de acordo com estatística do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Em 2017, ano da retomada do crescimento da emigração brasileira, as portuguesas tiveram 1.589 bebês a menos que em 2016, enquanto que as brasileiras, 335 a mais. Já em 2018, foram registrados pelo INE 209 nascimentos a menos das portuguesas. No mesmo período, as brasileiras tiveram 535 filhos a mais.

Desde 2015, salvo um aumento em 2016, os nascimentos de bebês de mães portuguesas diminuíram, passando de 78.394 em 2015 para 77.730 em 2018/19 — uma redução de 664 nascimentos. No mesmo período, os recém-nascidos de brasileiras saltaram de 1.740 para 2.685, um aumento de 945.

Nasceram em Portugal quase 22 mil crianças de mães brasileiras desde 2010. Cabo Verde aparece em segundo no ranking dos últimos oito anos, mas com menos da metade: 8,6 mil. Em 2010, nasceram 90.671 bebês de mães portuguesas, 12,9 mil a menos que em 2018 e os três primeiros meses de 2019.

Estes números refletem as políticas de atração de imigrantes desenvolvidas ao longo do primeiro mandato do primeiro-ministro António Costa (2015-2019), do Partido Socialista. Reeleito em outubro de 2019, o premier estabeleceu como prioridade a ampliação das medidas para facilitar a inserção de imigrantes no mercado, como a concessão de título temporário para quem procura emprego, permissão de trabalho em tempo parcial para imigrantes estudantes e mais agilidade na regularização dos vistos de residência.

A estratégia incide em utilizar a força imigrante no combate ao desequilíbrio demográfico. Em cerca de 50 anos, a população portuguesa em idade produtiva poderá cair pela metade e abrir lacunas no mercado de trabalho. Em 2018, ocorreram 112.995 mortes contra 86.973 nascimentos, uma diferença de 26.022.

Foi exatamente em busca de oportunidades profissionais, qualidade de vida e atendimento eficiente na rede pública de saúde que Elizete decidiu deixar o Brasil. Entre o sexto e o sétimo meses de gravidez e aos 42 anos, ela embarcou para encontrar em Portugal o marido, Rodrigo de Souza, que havia emigrado na frente para preparar as chegadas da mulher e da bebê. Ela trabalhava em São Paulo como cabeleireira e diz não ter enfrentado nenhuma dificuldade para arrumar emprego em um salão ou atendimento no centro de saúde para o acompanhamento final da gestação. Não encontrou obstáculos sequer nos postos de imigração no aeroporto.

Não perguntaram nada sobre a minha barriga no aeroporto, apenas de onde eu vinha, o que faria e etc…”, contou Elizete, que compartilha experiências com o grupo “Mães Brasileiras Em Portugal” nas redes sociais.

 

 

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