Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de novembro de 2023
O grupo com 34 brasileiros e familiares próximos continuava à espera do resgate na Faixa de Gaza, depois que a passagem de Rafah, a única rota de saída foi fechada no final de semana e reaberta nessa segunda-feira (6). Na região, itens básicos ficam mais escassos a cada dia que passa, relatou Hasan Rabee, que vive no Brasil e estava no território palestino quando o conflito começou.
“O mais difícil é achar farinha. Não acha mais. O saco da farinha está custando até R$ 200, R$ 300 reais e mesmo assim é difícil de achar. Cada dia é pior que o outro. Água mineral não achamos mais, estamos tomando água encanada, mas só temos para poucos dias. Já estamos há 31 dias sem energia e agora o mais difícil é encontrar alimentação”, conta Hasan.
Sem gás, a família recorre à lenha para assar os pães feitos em casa com a farinha que fica cada dia mais escassa no enclave em guerra. Os fogões improvisados são também a alternativa encontrada por voluntários, que cozinham caldeirões de alimentos em fogueiras nas ruas e distribuem para aqueles que nem o pão tem mais.
Gaza está sob bloqueio há um mês, quando o ataque terrorista do Hamas deu início a guerra. Na semana passada, um acordo entre Egito, Israel e o Hamas permitiu que palestinos feridos e estrangeiros atravessassem a passagem de Rafah, o único ponto da fronteira que o enclave não divide com o território israelense.
A abertura foi a primeira desde o início da guerra e a ideia era que os cerca de 7 mil estrangeiros ou cidadãos com dupla nacionalidade à espera do resgate atravessassem aos poucos para o Egito, em grupos com cerca de 500 pessoas por dia.
O grupo com 34 brasileiros e familiares próximos está dividido entre as cidades de Rafah e Khan Yunis, no sul de Gaza. O Itamaraty tem dito que mantém as negociações com as autoridades locais até que todos eles consigam sair do enclave e que o voo de repatriação sairá de Cairo, no Egito, assim que o grupo atravessar a fronteira.
Segundo o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, não existe nenhum tipo de represália por parte do governo israelense aos brasileiros que estão em Gaza. Desde o início do conflito, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tem criticado a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que já deixou mais de 10 mil pessoas mortas, segundo dados do ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas.
“Israel não decide quem entra na lista e não cria obstáculos para isso”, aponta Zonshine. “Autoridades americanas afirmaram que o Hamas estava colocando seus combatentes feridos nas listas de pessoas que precisariam de atendimento médico fora da Faixa de Gaza. O Hamas está impondo diversas condições para liberar a saída dos palestinos com dupla nacionalidade e isso está prejudicando a saída das pessoas”, completa o embaixador.
O embaixador israelense no Brasil afirmou que os brasileiros no enclave palestino devem deixar a Faixa de Gaza nos próximos dias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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