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Mundo Brasileiro é resgatado no Alasca após viagem inspirada em história famosa

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Gabriel explorava o Alasca quando decidiu passar a quarentena no mesmo local em que esteve Christopher McCandless. (Foto: Arquivo Pessoal)

“A felicidade só é real quando compartilhada”. E no caso do brasileiro Gabriel Dias da Silva, 26, o mundo inteiro ficou sabendo.

Desde que saiu de carona de Cuiabá em direção ao Alasca, em agosto de 2017, esse paulista de Cândido Mota já cruzou 22 países, mas ele não esperava ver sua história estampada em jornais internacionais e do Brasil.

Inspirado no californiano Christopher McCandless, cujo fim trágico é retratado em livro e no road movie “Na Natureza Selvagem”, Gabriel decidiu passar a quarentena do coronavírus em um acampamento selvagem nos arredores do Parque Nacional Denali, no Alasca, onde fica o famoso ônibus verde em que McCandless morreu de inanição, em 1992.

Mas no melhor estilo “a vida imita (em partes) a arte”, Gabriel teve que ser resgatado de helicóptero, no último dia 14 de abril, próximo ao mesmo Magic Bus onde Alexander Supertramp passou seus últimos dias de vida.

“Eu li o livro [de Jon Krakauer] olhando para a cama em que ele [Christopher McCandless] morreu. Quando terminei, me deu um desespero. Comecei a chorar”, conta Gabriel.

Perrengue cinematográfico

Do povoado de Healy, a cerca de 45 quilômetros dali, Gabriel levou quatro dias para chegar ao local, devido a uma nevasca que o obrigou a acampar por dois dias no meio da travessia.

Desde o lançamento do filme de 2007, com Emile Hirsch no papel principal, o Magic Bus virou uma espécie de meca de aventureiros no Alasca. No tempo em que esteve no local, o brasileiro viu uma família inteira chegar em motos de neve, cujo cachorro aparece na foto com o brasileiro, e até um grupo de amigos que pousou em um helicóptero.

“Muita gente aproveita o inverno para visitar o ônibus porque os rios estão congelados”, explicou.

Gabriel, que chegou a perder a noção do tempo durante o acampamento selvagem no ônibus, acredita ter ficado no local por cerca de duas semanas. Equipado com um fogareiro, se alimentava de aveia, bolachas e produtos em lata como feijão e sardinha. A água que consumia vinha de um rio descongelado, a cerca de 200 metros dali.

“Era bem frio, mas eu tomava banho quase todo dia”, faz questão de avisar.

A angústia começou a bater mesmo quando se deu conta de que, além das pegadas de urso próximo ao ônibus, os rios congelados da região poderiam derreter e impedir seu retorno.

Diante do caudaloso e profundo rio Teklanika, cuja ponte de gelo que encontrara na ida tinha desaparecido, Gabriel se deparou com uma barreira natural congelada que deveria ser escalada.

Hora de pedir ajuda

Sua história só não terminou em tragédia porque, junto com o GPS que havia comprado, Gabriel adquiriu um seguro que incluía resgate em áreas remotas e podia ser acionado por um dispositivo via satélite. “Eu pretendia ficar três meses isolado até o fim da pandemia e precisava de algo para comunicação, na hora de voltar”.

Enquanto a central de atendimento conversava com sua família no Brasil, a equipe de resgate negociava com ele: esperar melhores condições de travessia do rio ou enviar um helicóptero.

O resgate aéreo chegaria 40 minutos depois do início da negociação. Seu nome, em poucas horas, ganhava o mundo.

Gabriel, que está no Alasca desde fevereiro, vê semelhanças com a história de Supertramp, que também viajava de carona e com pouco dinheiro.

“Estava tudo dentro do planejamento e tinha comida para mais alguns dias. Voltei antes porque deu vontade de voltar. Eu só não estava preparado para encontrar o rio descongelado”, lembra.

 

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