Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de maio de 2020
Nada é mais convincente que a falta de alternativas. Obrigados a fechar as portas pelo coronavírus, os varejistas brasileiros aumentaram sua presença no comércio eletrônico em poucas semanas. Já os consumidores, impedidos de sair às ruas, compraram 30% mais na internet em abril na comparação com março.
Na pandemia, estima-se que o e-commerce ganhou ao menos 4 milhões de novos clientes, que devem manter o hábito depois. A tendência fortalece as plataformas de gigantes do comércio online, mas acentua a crise que o varejo físico já enfrentava antes.
Os números são da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), que observou salto na venda virtual de brinquedos (400%), artigos esportivos (200%) e cosméticos (80%).
Parte importante do impulso vem de pequenos lojistas que nunca pensaram em vender na rede. Como criar uma plataforma em tão pouco tempo era inviável, a solução de muitos foi usar as já estabelecidas. São os chamados marketplaces de companhias como B2W (Submarino e Americanas) e Amazon, que permitem que terceiros vendam em seus sites em troca de comissão.
Na Olist, plataforma que ajuda pequenas marcas na entrada e melhora das vendas nos marketplaces e já atende 12 mil, o número de empresas off-line que migraram para os shoppings virtuais já aumentou quatro vezes. Em maio, deve crescer mais dez vezes, prevê o diretor-presidente da Olist, Tiago Dalvi: “Mas é um ambiente desafiador, com grande concorrência e que exige lidar com catálogo, prazos de entrega, estoques e publicidade. É difícil aprender do dia para noite”.
Logo no início da pandemia, o Magazine Luiza criou o programa Parceiro Magalu para atrair pequenos varejistas com lojas fechadas pelas medidas de contenção do coronavírus, dando desconto na comissão. Já ganhou 16 mil novas empresas para seu marketplace, mais que os 14 mil que tinha no fim de 2019.
O Magazine Luiza tem uma parceria com o Sebrae para preparar pequenas empresas para ingressar na plataforma. Segundo César Rissete, gerente de competitividade do Sebrae Nacional, o plano é “acelerar” 100 mil empresas com parcerias similares:
A Samsung também reforçou sua atuação na área digital em parceria com grandes redes de varejo. A empresa criou uma página chamada “Conecte-se à sua casa” e, para elevar as vendas, desenvolveu uma série de ações promocionais, com descontos de até R$ 2 mil na compra de itens como televisores, geladeira, lava e seca e ar-condicionado. Ao escolher os produtos, o cliente é direcionado para o e-commerce de uma das redes varejistas que participam da ação com a companhia.
São vários os exemplos de pequenas empresas que estão sobrevivendo graças ao impulso on-line. A fabricante de produtos de beleza Be Factory, por exemplo, estreou na rede durante a pandemia, vendendo 27 mil unidades de álcool em gel e produtos antissépticos em apenas 14 dias em diferentes marketplaces, conta a diretora comercial Fabiana Seixas.
Na plataforma da Netshoes, a YoungFit quintuplicou suas vendas de itens como elásticos e anilhas para exercícios. O faturamento dos marketplaces de Netshoes (artigos esportivos) e Zattini (moda) mais que dobrou na pandemia em relação ao ano passado, diz Mauro Lopez, diretor das plataformas, que foram compradas pela Magazine Luiza em 2019.
A plataforma de vestuário Dafiti lançou nos últimos dias uma campanha para atrair pequenos negócios, prometendo processo mais rápido.
Lojas físicas
Nas grandes redes de lojas físicas, há preocupação com a migração de clientes para a internet, mas elas também estão reforçando a presença na web. Na Via Varejo (dona de Casas Bahia e Pontofrio), a fatia do e-commerce no faturamento subiu de 30% para mais de 70%, invertendo o balanço entre lojas físicas e a internet.
Na rede Riachuelo, com as lojas fechadas, o comércio eletrônico se tornou o principal canal de vendas. Os pedidos pela rede triplicaram com a pandemia, segundo Elio Silva, diretor de Marketing da varejista. Entre março e abril, o aplicativo da rede já foi baixado mais de 730 mil vezes.
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