Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de maio de 2020
André Kalil já perdeu dez quilos em pouco mais de dois meses. Dorme cerca de quatro horas por noite, corre 10 quilômetros todas as manhãs e, várias vezes por semana, se esquece de almoçar.
“Isso acontece quando você fica muito intenso no trabalho mas, dessa vez, não é por um dia ou uma semana, são meses. A gente tem que se lembrar um pouco do que é normal.”
Aos 54 anos, 30 deles nos EUA, o infectologista brasileiro da Universidade de Nebraska Medical Center lidera as pesquisas com o antiviral remdesivir, primeiro remédio liberado pelo governo americano para uso emergencial contra Covid-19.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Kalil afirma que o medicamento é hoje o mais promissor para o tratamento da doença, mas ainda serão necessários novos estudos para que a droga seja autorizada para uso padrão. “Estamos perto, mas ainda precisa de um tempo.”
Resultados preliminares da primeira fase de sua pesquisa mostraram que pacientes que tomaram remdesivir se recuperaram quatro dias antes daqueles que receberam placebo. Agora Kalil anuncia a segunda fase do estudo.
Nela, todos os voluntários vão receber o antiviral, mas só metade vai tomar também um anti-inflamatório para avaliar se a combinação dos remédios melhora ainda mais a recuperação e sobrevida dos pacientes.
“Se os dados continuarem fortes e consistentes, é possível que a droga seja aprovada como de uso padrão.”
Formado em medicina pela Universidade de Pelotas, o gaúcho nascido em Bagé se mudou para os EUA aos 24 anos, para fazer um curso em Miami. Ali conheceu a americana Patricia, com quem se casou e teve três filhos.
Na Universidade de Nebraska, onde atua há quase 20 anos, passou de professor assistente a referência mundial em pesquisa com doenças altamente contagiosas, liderando o time que tratou de pacientes do ebola, há cinco anos, aos de Covid-19, desde fevereiro.
Kalil ressalta que o remdesivir não deve ser visto como cura, mas, sim, como tratamento, e que a vacina contra a Covid-19 ainda deve demorar.
“Não sabemos quanto a pandemia vai durar, então temos que manter energia para continuar a batalha. Se você vai correr uma maratona e acelera nos primeiros 10 km, você não termina. A ideia é manter uma velocidade em que possa produzir efetivamente, mas não se esgote antes do tempo.”
Questionado sogre se hoje o remdesivir é a substância mais promissora contra a Covid-19, ele respondeu: “Do ponto de vista científico, não existe neste momento nenhum outro estudo randomizado duplo-cego, com placebo controlado, como o nosso, que tenha mostrado uma medicação efetiva. É a evidência científica mais favorável ao tratamento do Covid-19”. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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