Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de julho de 2023
O neurocientista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos EUA, quer ser o primeiro brasileiro a desenvolver um experimento científico na Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês). No fim do mês passado, Muotri levou a ideia ao Palácio do Planalto, onde a apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Ele precisa agora do aval da Agência Espacial Americana (Nasa) para fazer suas experiências no espaço.
O neurocientista é professor dos departamentos de Pediatria e Medicina Celular da Universidade da Califórnia, em San Diego. O cientista dirige o programa de célula-tronco e foi um dos primeiros pesquisadores brasileiros e cultivar a células-tronco embrionárias em laboratório.
Muotri é pai de uma criança autista e essa condição é uma das suas principais linhas de pesquisa. Cultivando células neuronais, ele busca uma cura para o autismo. Muotri é reconhecido internacionalmente pelo desenvolvimento de minicérebros, organoides feitos com células-tronco pluripotentes induzidas em laboratório que são usados para entender o desenvolvimento cerebral, doenças neurológicas e testar medicamentos.
Em 2019, numa parceria entre a Universidade da Califórnia e a Nasa, os minicérebros de Muotri foram enviados à ISS. A experiência revelou que, em apenas um mês no espaço, as células neuronais envelheceram o equivalente a dez anos por conta da microgravidade.
Agora, o cientista quer ir pessoalmente à ISS para trabalhar com os organoides, se tornando o primeiro astronauta cientista brasileiro. O plano do cientista é ir à estação em novembro do ano que vem. Segundo ele, detalhes sobre a viabilização do projeto não podem ser ainda divulgados.
“Queremos estabelecer uma colaboração entre o governo brasileiro e a Universidade da Califórnia, unindo os cientistas brasileiros da diáspora e os cientistas que trabalham no Brasil, com o objetivo maior de criar o primeiro programa brasileiro de astrobiologia”, contou em entrevista ao Estadão.
“Com isso, faremos nossa primeira missão ao espaço em 2024, que é uma data apertada, mas estamos correndo para que seja colocada em pauta o quanto antes.” De acordo com Muotri, o treinamento da Nasa para ir ao espaço dura seis meses e começa em setembro.
Em maio passado, o cientista fechou uma parceria com a Universidade Federal do Amazonas para testar substâncias da biodiversidade da Amazônia no tratamento de doenças neurológicas.
“A maior parte das pesquisas visa entender doença neurológicas, como Alzheimer, demência, autismo, e criar os melhores tratamentos para elas”, contou Muotri sobre o trabalho com os minicérebros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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