Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

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Notícias Brasileiros e venezuelanos vivem sob clima de tensão na fronteira

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Paróquia de Pacaraima oferece café da manhã para imigrantes venezuelanos diariamente. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O agravamento da crise migratória fez brasileiros e venezuelanos viverem sob clima de tensão em Pacaraima (RR), cidade de apenas 12 mil habitantes na fronteira com a Venezuela. Às vistas de todos, grupos chegam a bater boca no meio da rua. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Alegando preferência de atendimento aos refugiados e suposta escalada da violência, moradores também já realizaram ao menos cinco protestos – um deles terminou com a queimada de barracas e pertences dos refugiados.

Em um vídeo gravado na segunda-feira (27), uma senhora brasileira discute com um grupo de venezuelanos. “Somos seres humanos”, grita um imigrante, de mochila nas costas. “Brasileiro não vai lá para roubar”, ela responde.

Decreto

Preocupado com a possibilidade de acirramento dos ânimos em Roraima, onde há um clima de tensão com a constante chegada de venezuelanos ao País, o presidente Michel Temer decidiu assinar um decreto convocando as Forças Armadas para agir no Estado, em ação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) pelo prazo de 15 dias, desta quarta-feira, 29, até o dia 12 de setembro, nas áreas de fronteira do Estado, como informou a Coluna do Estadão. O decreto será publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (29). A GLO está sendo assinada principalmente para dar todo tipo de amparo jurídico aos militares, apesar de a lei já prever que o patrulhamento de fronteira pode ser feito.

O decreto foi assinado à revelia da governadora do Estado, Suely Campos (PP), que, de acordo com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, não fez um pedido oficial para que o governo federal tomasse a medida. A governadora Suely Campos (PP), após saber da assinatura do decreto, disse que desde agosto de 2017 já havia feito a solicitação via ofício, para decretar Garantia da Lei e da Ordem na faixa de fronteira do município de Pacaraima com a Venezuela.

No seu pronunciamento, Temer também mencionou que é preciso buscar apoio da comunidade internacional mas não detalhou o que faria neste caso. “Essa situação afeta hoje quase toda a América do Sul. O Brasil respeita a soberania dos Estados nas ações, mas temos de lembrar que só é soberano um país que respeita e cuida do seu povo. É preciso encontrar urgentemente um caminho para essa situação. (…) Vamos buscar apoio na comunidade internacional de medidas diplomáticas firmes que solucionem esse problema que não é mais de política interna do país que avançou pelas fronteiras e ameaça a soberania de vários países, como Equador, Colômbia e outros”, disse

Temer informou que a decisão foi tomada como complemento às ações humanitárias que já estão em curso na região. Em seu discurso, o presidente fez duras críticas ao governo de Nicolás Maduro e afirmou que a situação vivida em toda a América Latina e no Brasil, principalmente em Roraima, é fruto “das péssimas condições de vida a que está submetido o povo venezuelano”. “Esse problema não é mais de política interna de um país mas avançou pelas fronteiras de vários outros países”, disse Temer.

Etchegoyen classificou a crise de imigração de venezuelanos como a mais grave da história da América Latina e ressaltou que outros países enfrentam situações piores do que o Brasil nesta questão. Para ele, o problema da entrada de refugiados aqui é que eles estão fazendo isso por um Estado pouco habitado e que fica muito longe dos grandes centros do País.

Ele informou também que entram, em média, de 600 a 700 pessoas por dia no Brasil e cerca de 20% delas permanecem em território nacional. O ministro ressaltou ainda que o governo continua agindo para melhorar a interiorização desses imigrantes para reduzir a pressão sobre Roraima.

Após o pronunciamento de Temer, o ministro da Defesa, general Silva e Luna, afirmou que “não houve solicitação” da governadora Suely Campos para que as Forças Armadas fossem atuar no Estado. Já Etchegoyen foi mais duro, salientando que as tentativas de entendimento com a governadora de Roraima para decretação de GLO no Estado foram ignoradas por ela.

“A reação (da governadora) até agora tem sido o silêncio e o não reconhecimento de que precisa de ajuda na segurança pública”, declarou, salientando que o Planalto “não cogitou” fazer intervenção federal no Estado, como está acontecendo no Rio. Segundo o ministro, a missão de GLO em Roraima inclui que as tropas federais ajam com poder de polícia.

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