Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Brasileiros estão se desinteressando por partidos políticos

Compartilhe esta notícia:

O PT foi o partido que mais perdeu filiados no ano. Houve 6,2 mil mais desfiliações que filiações. (Foto: Lucas Uebel/ o Sul)

A descrença da população brasileira em relação aos partidos está criando uma situação inédita na jovem democracia brasileira. Nunca houve tão poucas pessoas se filiando a legendas em um ano de pré-eleição municipal, período que mais mobiliza adesões partidárias nos ciclos de quatro anos em que se preparam e disputam os cargos eletivos no País – vereador e prefeito em uma votação; deputados, senadores, governadores e presidente no biênio seguinte.

Os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostraram que desde 1995, quando foi instituída a obrigação de se filiar a um partido um ano antes da votação para poder sair candidato, ocorreram ondas de adesão partidária nos anos anteriores às eleições municipais. Sete em dez brasileiros que hoje são ligados a um partido assinaram a ficha de filiação no ano entre as eleições gerais e as municipais. Em 2011, houve 1,9 milhão de novas filiações – número dez vezes maior que no ano anterior, fenômeno que se repetiu em 2007, 2003, 1999 e 1995.

Em 2015, essa regra parece ter perdido força. Foram 77 mil novas filiações nos primeiros cem dias do ano, praticamente o mesmo número do ano passado – ou, em uma comparação mais justa, queda de 60% em relação ao mesmo período de 2011, ano anterior à realização dos últimos pleitos municipais.

Se o ritmo de filiações em 2015 for similar ao de quatro anos atrás, o Brasil chegará a dezembro com cerca de 620 mil novos filiados, o que representará a menor mobilização de filiação pré-eleição municipal na série histórica desde a redemocratização.

Suprapartidário

A queda na mobilização partidária atingiu a maioria das atuais 33 siglas existentes. Mesmo com as 77 mil filiações registradas em 2015, houve uma pequena queda no número total de novos filiados a partidos em razão do número de desfiliações e cancelamentos de registros. O saldo caiu em cerca de 3 mil pessoas desde dezembro passado. Hoje, são 15,3 milhões de filiados a partidos no Brasil, número similar ao registrado em 2011, embora de lá para cá o número de eleitores registrados no TSE tenha subido em 6 milhões.

Ainda não é possível identificar com clareza quais são os fenômenos por trás dessa mudança no comportamento dos brasileiros em relação às siglas partidárias, mas uma série de indicadores recentes revelou um aumento da descrença em relação à política e aos partidos.

Pesquisa Ibope no começo deste ano mostrou que dois em cada três brasileiros não têm simpatia por nenhum partido – o maior valor da série histórica, iniciada em 1988. Mesmo em 2013, ano das manifestações de rua que balançaram o cenário político nacional, a taxa não havia chegado a tanto.

Além disso, o brasileiro está mais pessimista que nunca em relação ao futuro do País: metade se considera assim segundo outra pesquisa do Ibope feita em maio, mais até que na época da hiperinflação no governo Collor. E, em meio a tudo isso, há uma crise política sem precedentes no Congresso.

A taxa de governismo no segundo governo Dilma é a menor do que em todos os anteriores nessa mesma época do mandato, segundo o Basômetro, ferramenta que mede a adesão de deputados e senadores às orientações do governo nas votações nominais. A dispersão dentro de cada partido também está batendo recordes e é maior até que na crise do mensalão, em 2006. “Há uma crise geral de legitimidade das instituições. A sociedade e o eleitor não se reconhecem mais no sistema partidário”, avaliou o diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e cientista político, Aldo Fornazieri.

PSDB, PSOL e PT

Apenas oito dos 33 partidos políticos atuais não tiveram queda no estoque de filiados nos primeiros cem dias de 2015 em relação ao fim do ano passado. Mas só dois deles tiveram um aumento considerável no número de filiados – e são justamente os dois que fazem maior oposição ideológica ao governo federal: PSDB e PSOL. Os tucanos foram os que registraram o maior número de filiados em 2015 até a metade de abril, com 15 mil novos registros. Já o segundo em número de filiações neste ano foi o PSOL, com 11 mil filiações.

Enquanto isso, o que mais perdeu filiados no ano foi justamente o PT. Os dados mais recentes da Justiça Eleitoral, atualizados nesta semana, mostraram que, oficialmente, houve 6,2 mil mais desfiliações que filiações no partido de janeiro à metade de abril deste ano. Apesar disso, o partido ainda mantém o segundo maior contingente de filiados no total, com 1,6 milhão de petistas. (AE)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

O Supremo negou o pedido da defesa de Lula e manteve com o juiz Sérgio Moro o caso sobre a construção de sondas pela Petrobras
O Ministério Público Federal volta a pedir a suspensão de decreto que extingue reserva nacional
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar