Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de junho de 2015
A turnê que reúne Caetano Veloso e Gilberto Gil para comemorar o cinquentenário de carreira dos dois começa nesta quinta-feira (25) em Amsterdã, com 18 datas confirmadas na Europa e no Oriente Médio (Israel) e, por ora, apenas nove no Brasil – onde São Paulo será a escala inicial, em 21 e 22 de agosto.
A provável sequência de abertura do show, porém, lembra sem rodeios onde estão fincadas as raízes da dupla.
O blues cordelista “Back in Bahia” (Gil, 1972), composto logo após a volta do exílio em Londres (“Como se ter ido fosse necessário para voltar/ Tanto mais vivo”), deságua em “Marginália 2” (Gil/Torquato Neto, 1968), dos versos “Minha terra tem palmeiras/ Onde sopra o vento forte/ Da fome, do medo e muito/ Principalmente da morte”, incomodamente não anacrônicos, 47 anos depois.
Em seguida, o samba “É de Manhã” (Caetano, gravada por Bethânia em 1965, como lado B do compacto que lança “Carcará”) deve abrir alas para “Filhos de Gandhi” (Gil, 1975), outra criação da fase de reencontro com o Brasil.
Em algum momento do périplo europeu, uma parceria inédita dos dois pode ser incorporada ao repertório, segundo Caetano – personificando aqui o mote “mistério sempre há de pintar por aí”.
“Ainda não fizemos. Gil criou duas melodias diferentes e bonitas. Mas eu não escrevi nenhuma letra”, conta, em entrevista.
Para o músico, não há desequilíbrio na proporção de shows no Brasil e no exterior (a França e a Itália recebem, cada uma, quatro apresentações da turnê): “Você sabe como é, chega no Brasil os convites para fazer outras praças crescem, e a gente termina fazendo muito mais do que o que estava na primeira lista”.
Nas cinco primeiras datas do tour pela Europa, o preço do ingresso varia entre 54 euros (ou 186 reais, média das entradas mais baratas) e 95 euros (ou 327 reais, média das mais caras). Em São Paulo, a venda para o público começa nesta quinta-feira (25), e será preciso desembolsar entre 120 e 450 reais.
REENCONTRO
A ideia de juntar Caetano e Gil em cena partiu do empresário e produtor italiano Ettore Caretta, velho entusiasta da MPB. O último trabalho conjunto da dupla havia sido “Tropicália 2”, disco de 1993 mais conhecido pela canção “Haiti”.
Quase dez anos depois, eles dividiram o palco com Bethânia e Gal na reedição relâmpago (só dois shows) de Doces Bárbaros, que gerou não um álbum, mas um documentário assinado por Andrucha Waddington.
Gil e Caetano se conheceram em 1963, por intermédio do produtor Roberto Santana. O segundo já seguia pela televisão a carreira do primeiro havia ao menos dois anos. É dessa época a frase de dona Canô, que o filho reproduziu no livro “Verdade Tropical”: “Caetano, venha ver o preto [de] que você gosta”.
Uma das primeiras aparições conjuntas deles ocorreria no ano seguinte, já ao lado de Bethânia e Gal (além de Tom Zé), à frente do show “Nós, Por Exemplo”, que abriu o hoje incontornável teatro Vila Velha, em Salvador. Em 1965, com intervalo de meses entre um e outro, sairiam os compactos de estreia do par: o cartão de visitas de Caetano tinha “Cavaleiro” e “Samba em Paz”, enquanto Gil exibia “Procissão” e “Roda”. O resto é história.
“Para mim é bom estar perto de Gil outra vez”, comenta Caetano, que encerrou a extensa turnê de “Abraçaço” (disco lançado no fim de 2012) no último domingo (21), na Virada Cultural paulistana. (Lucas Neves/Folhapress)
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