Domingo, 17 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas Caos no aeroporto em Guarulhos. O que uma pane elétrica diz para o Brasil?

Compartilhe esta notícia:

Foto: Jonilton Lima/MPor

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O Brasil acordou nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026, com uma cena que não deveria se repetir em um país que se pretende moderno: o maior aeroporto nacional, Guarulhos, mergulhado em um apagão em plena manhã movimentada. Passageiros já acomodados em aeronaves prontas para decolar foram obrigados a desembarcar, os terminais 2 e 3 ficaram às escuras, esteiras de bagagem pararam e companhias aéreas tiveram de improvisar processos manuais. O caos se instalou em plena luz do dia, expondo a fragilidade de uma infraestrutura que deveria ser robusta e confiável. Mais do que um contratempo operacional, o episódio é um retrato de como insistimos em um modelo energético ultrapassado, incapaz de garantir segurança e eficiência em momentos críticos.

O problema não está apenas na falha pontual da rede elétrica que abastece Guarulhos, mas na lógica que sustenta nosso sistema: a geração centralizada. O governo, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), continua a investir bilhões em linhas de transmissão que cruzam o país, enquanto tecnologias já maduras e disponíveis — os Recursos Energéticos Distribuídos (REDs) e a Geração Distribuída (GD) — seguem subaproveitadas. Os REDs incluem painéis solares, pequenas turbinas eólicas, baterias de armazenamento e até veículos elétricos capazes de devolver energia à rede. A GD permite que consumidores produzam sua própria eletricidade e compartilhem o excedente. São soluções que já funcionam em diversos países, mas que aqui esbarram em uma rede de distribuição antiquada, projetada nos anos 1950. É como ter uma Ferrari na garagem e tentar rodar em estradas de terra pensadas para carroças.

Além da resistência estrutural, há também a batalha das narrativas. Muitos tentam convencer a opinião pública de que a GD é “coisa de rico” e que o pobre paga a conta. Essa visão distorcida foi construída por quem não quer ver a sociedade brasileira se beneficiar das evoluções do setor elétrico. A realidade é outra: quanto mais descentralizada e democrática for a geração de energia, mais todos ganham. O consumidor reduz custos, o sistema se torna mais resiliente e o país diminui sua vulnerabilidade a apagões. Essa pauta esteve presente na COP30 em Belém, onde participei de reuniões com entidades e organizações justamente para desmitificar esse discurso e mostrar que a GD é caminho para inclusão e modernização, não para exclusão.

Enquanto seguimos presos ao modelo centralizado, continuaremos vulneráveis a episódios como o de Guarulhos. Um único ponto de falha comprometeu a vida de milhares de pessoas, atrasou compromissos, desorganizou tripulações e abalou a confiança na infraestrutura nacional. Redes inteligentes nas distribuidoras seriam capazes de integrar os REDs e aproveitar todo o potencial da geração distribuída, tornando o sistema mais dinâmico, seguro e preparado para enfrentar eventos climáticos extremos. Quanto mais independente e descentralizado, mais resiliente será o Brasil.

O apagão em Guarulhos não é apenas um contratempo, é um aviso. Ele mostra que insistir em estradas velhas para tecnologias modernas é condenar o país a repetir o caos. A escolha está diante de nós: continuar investindo em um modelo centralizado que já se provou frágil ou apostar na descentralização, na inovação e na democratização da energia. O episódio desta manhã não pode ser esquecido como mais um problema operacional. Deve ser entendido como um chamado urgente para que o Brasil acelere rumo ao futuro energético que já está ao nosso alcance.

(Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética – contato: rena.zimm@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
A beleza ainda importa
Nomeação feminina: Leite anuncia Larissa Caon para a chefia da Defensoria Pública do RS
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x