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Colunistas Capitalismo

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O capitalismo tem imperfeições e contradições. Mas é um sistema inigualável para a produção de bens e riquezas.

Foi sob a égide do capitalismo que nestes últimos 40 anos o mundo deu um salto formidável: a expectativa de vida se alargou para os atuais 78 anos, quando estava em menos de 60 anos, há 35 anos atrás. No mundo as estatísticas são semelhantes, com mais de 1 bilhão de pessoas saindo da situação de extrema pobreza em todo o mundo.

Esse salto se deu com a derrocada do socialismo, e coincide com o domínio quase absoluto do que os políticos e os economistas de esquerda chamam de neoliberalismo.

O neoliberalismo era para ser, segundo a narrativa facciosa, um capitalismo ainda mais desalmado do que o normal, como já havia descrito Marx há mais de 200 anos. Pois no pior capitalismo, o mundo ficou melhor, uma considerável parcela da humanidade que passou a viver com um pouco mais de dignidade.

Nos muitos textos que eu tenho lido nestes anos, não encontrei um só crítico do neoliberalismo – cuja definição não se constitui em unanimidade, cada analista tem um neoliberalismo para chamar de seu – que destacasse o fato singular: durante o seu domínio o mundo ficou melhor.

É crítica da mesma natureza daquela que se faz à miséria que existe nos EUA – e existem mesmo focos de pobreza e miséria no Império – querendo comparar com a situação de penúria da Cuba caindo aos pedaços. Mas a realidade é nua e crua: nenhum trabalhador americano foge dos EUA para o paraíso do socialismo, em Cuba. É o inverso: milhares escapam de Cuba nas piores e mais perigosas situações para alcançar Miami, e mais recentemente países como o Brasil.

Isto é, toma-se o neoliberalismo como o vilão da miséria e do subdesenvolvimento e da exploração, e, no entanto, enquanto ele vigorou soberano, desde Thatcher e Reagan, a vida de bilhões de pessoas se tornou mais decente.

Na atualidade, a crítica não tem mais como alvo o neoliberalismo, mas a concentração de renda. Crítica, no geral, pertinente e justa. Mas a única alternativa que propõem é o aumento das taxações do capital, dos produtos supérfluos e de luxo.

Os críticos da concentração se recusam a ver que no mundo capitalista, e no Brasil em particular, existe um enorme aparato de distribuição de renda – a tributação progressiva das empresas e dos mais ricos, o SUS, os programas sociais como o Bolsa Família, a legião dos benefícios de prestação continuada, que nem exigem contribuição anterior.

Neste exato momento, nos preparamos para dar fim à escala de trabalho 6×1 – benefício alcançado pelos países mais ricos depois de muito esforço, trabalho e aumento de produtividade. Benefício de país rico concedido, entretanto em país que está longe de alcançar esse estágio.

Do mesmo modo que não reconhecem a dinâmica da produção dos bens e da riqueza do capitalismo, enxergando-lhe apenas os defeitos e imperfeições, também não enxergam que o capitalismo soube se reciclar, admitir injustiças, fazer concessões, para tornar mais habitável a cidade, o país, o planeta.

(titoguarniere@terra.com.br)

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