Quinta-feira, 25 de junho de 2026

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Brasil Celso de Melo pergunta se os demais ministros do Supremo querem adotar medidas contra o ministro da Educação

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Reunião Ministerial ocorrida no dia 22 de abril. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Na decisão em que mandou divulgar o vídeo da reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros em 22 de abril deste ano, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse ter constatado “a ocorrência de aparente prática criminosa, que teria sido cometida pelo Ministro da Educação, Abraham Weintraub”. No encontro, Weintraub fez ataques a ministros do STF.

“Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”, disse Weintraub de acordo com transcrição do documento. Celso mandou oficiar cada um dos demais ministros da Corte para que “possam, querendo, adotar as medidas que julgarem pertinentes”.

Segundo o ministro do STF, trata-se de “gravíssima aleivosia”. Para ele, a declaração “põe em evidência, além do seu destacado grau de incivilidade e de inaceitável grosseria, que tal afirmação configuraria possível delito contra a honra (como o crime de injúria)”.

Vídeo da reunião

No vídeo da reunião do conselho de ministros do último dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não iria esperar “foder minha família toda de sacanagem, ou amigo meu” ao citar a necessidade de trocar “gente da segurança nossa no Rio”. Na avaliação dos investigadores, que assistiram ao vídeo na semana passada, a frase de Bolsonaro refere-se claramente à Polícia Federal no Rio e seria um indicativo da tentativa de interferir na PF. Ao reclamar da falta de informações, Bolsonaro cita que tem um sistema paralelo de inteligência, sem dar detalhes como funcionaria.

O vídeo mostra que as declarações sobre esse assunto são dadas por Bolsonaro em um tom visivelmente irritado. Ele faz as afirmações olhando para a frente, diretamente para a câmera que gravava o registro. A gravação também mostra que Bolsonaro fez uma pausa e olhou diretamente para a direção de Sergio Moro quando disse “eu vou interferir, ponto final”.

A versão de defesa do presidente, verbalizada por ele próprio e por seus ministros que prestaram depoimento à PF, é que ele estava reclamando da sua segurança pessoal. Nenhum deles, porém, apresentou elementos de que Bolsonaro teve dificuldades para trocar sua equipe de segurança pessoal ou que estaria insatisfeito com sua segurança.

“Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho. Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil, mas não quero sair e ver a minha a irmã de Eldorado, outra de Cajati, o coitado do meu irmão capitão do Exército de … de … de … lá de Miracatu se foder, porra! Como é perseguido o tempo todo. Aí a bosta da Folha de São Paulo, diz que meu irmão foi expulso dum açougue em Registro, que tava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, tava em São Paulo esse dia. O dono do … do restaurante do … do pa … de … do açougue falou que ele não tava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, né? Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família”, afirmou Bolsonaro.

As declarações são essenciais para o inquérito que apura supostas interferências indevidas de Bolsonaro na Polícia Federal. O vídeo chegou ao conhecimento dos investigadores por meio do depoimento do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que revelou ter sido ameaçado de demissão nessa reunião.

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