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Mundo Cerca de duas mil pessoas já tomaram a vacina contra o coronavírus em Moscou

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Moscou iniciou a imunização em massa começando por trabalhadores mais expostos ao vírus. (Foto: Fundo de Investimento Direto da Rússia)

Cerca de 2 mil pessoas tomaram a vacina anti-Covid Sputnik V nos primeiros dias da campanha de imunização iniciada em Moscou, capital da Rússia, no último sábado (5), de acordo com o prefeito Sergey Sobyanin.

A vacinação começou antes mesmo da publicação dos resultados finais da terceira fase de ensaios clínicos, embora dados preliminares tenham apontado uma eficácia superior a 95%, segundo o Instituto Gamaleya de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia, desenvolvedor do imunizante.

Os grupos prioritários são médicos, enfermeiros, professores e assistentes sociais. “Acredito que o sistema esteja pronto para uma vacinação em escala mais ampla”, afirmou Sobyanin.

A Rússia é o primeiro país no mundo a começar a vacinação contra o novo coronavírus e soma quase 2,5 milhões de casos e pouco mais de 43 mil mortes na pandemia. A Sputnik V será aplicada em duas doses.

Recomendações

A vice-primeira-ministra Tatiana Golikova delimitou as principais exigências para os vacinados: devem evitar locais públicos e reduzir a ingestão de remédios e álcool, que podem suprimir o sistema imunológico, nos primeiros 42 dias após a primeira injeção.

Ao contrário da maioria dos países ocidentais, a Rússia vai se concentrar primeiro nos funcionários da área da saúde, professores e assistentes sociais, ao invés dos grupos risco, como idosos, que têm mais chances de desenvolver quadros graves da doença.

Por entrarem em contato com muitas pessoas, esses profissionais provavelmente seriam expostos ao vírus que já provocou mais de 43 mil mortes no país, segundo levantamento em tempo real da Universidade Johns Hopkins.

Segundo o chefe do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), Kirill Dmitriev, que desenvolve a vacina em parceria com o Ministério da Saúde, o país espera vacinar cerca de 2 milhões de pessoas ainda em dezembro. A Sputnik V foi registrada pelo governo como “segura e eficaz” antes do início dos testes finais em humanos.

“Durante as primeiras cinco horas, 5 mil pessoas se inscreveram para tomar a primeira dose – professores, médicos, assistentes sociais, aqueles que hoje estão arriscando sua saúde e suas vidas”, escreveu o prefeito de Moscou, em seu site pessoal na última sexta (4).

A animação, contudo, não é generalizada. Segundo uma recente pesquisa realizada do centro independente de pesquisa Levada-Center, apenas 36% dos entrevistados disseram que com certeza tomariam a vacina contra o novo coronavírus.

Antes do início da imunização em massa, o país já havia aplicado a Sputnik V a mais de 100 mil pessoas, de acordo com o ministro da Saúde, Mikhail Murashko. De acordo com o governo, a vacina será disponibilizada sem custo para toda a população, mas não há prazo para que isso aconteça.

A vacina russa, contudo, não está disponível para pessoas com doenças crônicas, mulheres grávidas ou que estão amamentando. Ao contrário do Reino Unido, que deve começar sua própria campanha nesta terça (8), o país não está vacinando pessoas com mais de 60 anos, devido à falta de dados dos testes clínicos.

A Sputnik V ainda está passando pela Fase 3, última etapa dos testes em humanos, envolvendo cerca de 40 mil voluntários. Pelo menos 20 mil deles já receberam duas injeções, mas esse número inclui o grupo de controle que recebeu o placebo. Os desenvolvedores da candidata disseram que ela tem 95% de eficácia, número próximo ao da Pfizer e da farmacêutica americana Moderna sobre suas vacinas.

Os efeitos colaterais relatados pelos participantes do estudo até agora incluem febres leves, dores de cabeça e dores musculares, em cerca de 15% das pessoas. Os resultados são semelhantes aos das principais farmacêuticas ocidentais.

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