Sábado, 23 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de junho de 2016
Com o anúncio, na segunda-feira (20), de novas regras para a realização de cesáreas agendadas no País, médicos e gestantes que já tinham esse tipo de parto marcado para ocorrer antes da 39ª semana de gestação terão que adiá-lo. O alerta é do CFM (Conselho Federal de Medicina), que elaborou a norma vetando a realização de partos cirúrgicos a pedido da gestante, a partir da 37ª semana de gestação.
“As cesarianas que já estão pré-agendadas vão ter que se adequar à resolução”, disse o presidente do conselho federal, Carlos Vital. Para ele, a mudança é apenas uma “questão de agenda”. “Se [a cesárea] está marcada para amanhã, e a gestante está na 37ª semana, atinja a 39ª marcando para 15 dias à frente”, recomenda.
“O que é de maior custo? Adequar-se a uma agenda ou assumir uma insegurança para o feto?”, questiona. “Se não for reagendar por questão de conforto profissional, ou por que a família fez preparativos festivos, o que é de maior valor? Isso que é supérfluo ou a segurança de um feto que vai nascer?”
Segundo o presidente do conselho, caso houver a impossibilidade do reagendamento do parto a partir da 39ª semana de gestação, o médico deve registrar as razões que o levaram a manter a data – em caso de eventual fiscalização, por exemplo. “Se houver em algum caso concreto a impossibilidade do reagendamento, isso pode ser justificado e fundamentado. Mas é algo que vai demandar exceções. A regra é a obediência à resolução”, afirma. Apesar do alerta, a possibilidade de reagendamento dos casos já marcados é vista com ressalvas.
“Em uma grande maternidade, não se tem facilidade para dizer ‘não quero fazer dia 10, quero dia 17’. Não é uma coisa que o médico vai conseguir mudar em cima de hora”, disse o obstetra Juvenal de Andrade, diretor de defesa e valorização profissional da Febrasgo (federação de obstetras).
“Uma mulher que está com 38 semanas e três dias vai querer ficar mais três dias só porque mudou a regra nesse período? Não vai”, afirma. Ao mesmo tempo em que geraram debate sobre a necessidade de reagendamento pelos médicos das cesáreas já marcadas, as novas regras do conselho também despertaram preocupação em gestantes que planejavam ter o parto mais cedo.
Para Carlos Vital, do CFM, essa situação já era esperada. “A gestante tem certa ansiedade que é natural. Mas a maioria tem uma preocupação primeira e primária, que é a segurança do seu bebê. Consciente, ela certamente vai optar por isso”, afirma. Dados da última edição da Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, dão uma dimensão do alcance da mudança. Segundo o estudo, metade dos partos por cesárea no Brasil ocorre com dia e horário marcados – 53,5% do total. (Folhapress)
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