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Brasil Chamado de traidor por grupos antiDilma, Aécio rebate críticas e afirma que é estratégia não pedir impeachment

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PSDB de Aécio anunciou que, com base em parecer elaborado pelo jurista Miguel Reale Júnior, optaria por pedir a abertura de uma ação penal contra a presidenta. FOTO: Dida Sampaio/AE

Sob críticas dos grupos que organizam atos contra a presidenta Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que não há recuo, mas estratégia na decisão de não seguir adiante neste momento, com um pedido de abertura de processo de impeachment contra a petista.
Em tom de lamento, o senador disse que considera importante que esses movimentos vejam que essas ações podem ser complementares e que nada está descartado pela oposição.
“É importante que haja uma compreensão de que as nossas ações podem e devem ser complementares. O que estamos fazendo não vai na contramão do que eles pregam, ao contrário. Pode ser um insumo importante”, afirmou o tucano.
Ao lado das outras siglas de oposição, o PSDB anunciou na quarta-feira que, com base em parecer elaborado pelo jurista Miguel Reale Júnior, optaria por pedir a abertura de uma ação penal contra a presidenta, argumentando que a chefe de Estado cometeu crime comum ao usar recursos de bancos públicos para fechar as contas do governo, as chamadas “pedaladas fiscais”.
Havia, no entanto, mesmo entre deputados tucanos uma expectativa de que o parecer abrisse caminho para um pedido de impeachment. Após comunicar a decisão, Aécio passou a ser alvejado nas redes sociais por líderes de grupos antiDilma, como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Revoltados Online.
Integrantes desses movimentos chamaram o senador de traidor e disseram que ele “arregou”. Aécio rebateu as críticas. “Na mesma semana em que o PT vai à Justiça me acusando de ter patrocinado um programa de TV muito duro contra eles, alguns movimentos consideram a nossa atuação tímida”, disse.
Aécio afirmou que o pedido de abertura de uma ação penal, que será feito ao procurador-geral da República, , Rodrigo Janot, na terça-feira, foi o caminho que uniu as oposições por, hoje, representar com mais facilidade a possibilidade de investigar a presidenta. “É natural que eles tenham a sua agenda, mas tenho certeza que saberão respeitar a nossa. Nada está descartado”, declarou. “O processo é dinâmico e todas as hipóteses são admitidas”, encerrou.

 

Deputados
Em privado, até deputados do PSDB admitiram desconforto com a decisão da cúpula da legenda. A bancada do partido na Câmara trocou mensagens críticas a Aécio logo após a decisão ter sido comunicada a eles.
Os parlamentares tucanos mantêm um grupo no WhatsApp, aplicativo de troca de mensagens. Vários deputados fizeram reparos à postura do senador e à decisão das siglas de oposição.
Entre os relatos recebidos estão queixas sobre o descolamento do partido com
a agenda da população e
o desconforto que a mudança de postura traria aos
parlamentares em suas bases eleitorais.
Procurado para comentar o assunto, o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP) não respondeu às ligações da reportagem.

 

Farinha do Mesmo Saco
“O PSDB anunciou que não vai aderir à pauta do impeachment, traindo assim os mais de 50 milhões de votos adquiridos na última eleição dos brasileiros que apostaram nessa falsa oposição que continua nos decepcionando todos os dias”, criticou um dos grupos pró-impeachment, o MBL.
Para Marcello Reis, do Revoltados Online, ao desistir do afastamento da presidenta, o partido tornou-se “farinha do mesmo saco” do PT.
“O senador Aécio Neves [presidente nacional do PSDB] está sendo um covarde, cúmplice desse governo federal corrupto e a mando do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, vociferou. (Folhapress)

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