Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 21 de dezembro de 2015
Ameaçada de impeachment, a presidenta Dilma Rousseff promete fazer a partir de agora um novo movimento de inflexão à esquerda nos rumos da gestão, em uma tentativa de se manter no Palácio do Planalto. Embora o Executivo tenha obtido uma vitória no Supremo Tribunal Federal, que deu ao Senado a palavra final sobre o rito de impedimento, a cúpula do PT acredita que a salvação da presidenta depende da economia e de sua aproximação com os movimentos sociais.
Foi com esse diagnóstico que Dilma, antes mesmo de trocar Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, deu sinais de mudança na política econômica. Desenvolvimentista, Barbosa sempre defendeu uma prescrição que coincide com a receita da chefe do Executivo para sair da crise.
“Precisamos de uma nova equação econômica para o Brasil”, afirmou a presidenta, na terça-feira, em reunião com sindicalistas e representantes de entidades empresariais. “Levamos uns trancos. Mas o que faremos após superar a crise?”, perguntou ela na quinta-feira, ao se encontrar com integrantes da Frente Brasil Popular, que no dia anterior organizara atos em defesa do seu mandato.
Ilusão
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a Dilma, a ministros e também a dirigentes do PT que é uma “ilusão” ver o Congresso como o campo de batalha mais importante na guerra contra o impeachment. Em jantar com sua sucessora, no Palácio da Alvorada, o ex-presidente lembrou que só a sua ligação com o povo o livrou de ser apeado do poder, em 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão.
“Você precisa liberar o crédito, fazer a roda da economia girar e dar notícia boa”, aconselhou Lula. “A agenda do País não pode ser só ajuste fiscal e Lava-Jato”, emendou ele.
Na avaliação do ex-presidente, se nada for feito rapidamente, haverá uma “tempestade perfeita” que pode levar à pressão das ruas pelo impeachment, com inflação em alta, salário em baixa e desemprego na casa de dois dígitos antes de março de 2016. (AE)
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