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Mundo China oferece ovos e até alguns dólares para quem se vacinar contra o coronavírus

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A China está a caminho de ultrapassar 1 bilhão de doses nos próximos dias. (Foto: Reprodução)

Depois de um início lento, a campanha de vacinação contra a covid-19 da China está a todo vapor enquanto as autoridades tentam alcançar a ambiciosa meta de vacinar totalmente 40% dos seus quase 1,4 bilhão de habitantes até o fim deste mês.

A China administrou mais de 945 milhões de doses de vacinas, mais de um terço do total global, de acordo com o rastreador de vacinas do The New York Times. Com cerca de 17 milhões de injeções aplicadas todos os dias neste mês, a China está a caminho de ultrapassar 1 bilhão de doses nos próximos dias.

O atraso inicial da campanha nacional veio em parte porque a China priorizou as exportações de vacinas e porque bloqueios e testes em massa haviam dominado o vírus em grande parte do país. Com isso, muitos chineses sentiram pouca urgência em serem vacinados. Em meados de março, a China administrou apenas cerca de 65 milhões de doses. Em abril, estava dando apenas 4,8 milhões de doses por dia.

Muitos chineses também hesitaram em tomar as doses, em parte, por causa de escândalos anteriores envolvendo produtos de fabricação chinesa. Apenas vacinas de produção nacional estão sendo oferecidas no país.

Para dar início à campanha de vacinação, a China lançou seu manual para o sucesso da pandemia: uma abordagem que mistura ferramentas de alta tecnologia e mobilização popular e antiquada — com alguns incentivos incluídos.

Em comparação com os Estados Unidos, onde as autoridades locais têm procurado aumentar a vacinação, oferecendo prêmios de loteria de milhões de dólares e maconha grátis, os incentivos na China têm sido mais humildes.

Em Xangai, um homem recebeu uma garrafa de água. Na Província de Anhui, as autoridades distribuem ovos de graça. Uma mulher em Pequim conseguiu o equivalente a cerca de US$ 7 em dinheiro.

Mas para alguns, um fator maior parece ser a preocupação generalizada com um surto da variante Delta do coronavírus, uma versão mais transmissível identificada pela primeira vez na Índia, na cidade de Guangzhou, que agora parece estar diminuindo. Na quarta-feira (16), as autoridades de Guangzhou não relataram nenhum novo caso local pela primeira vez desde o surto começou em maio.

Metas

Yuhui Li, uma residente da cidade vizinha de Shenzhen, disse que inicialmente relutou em ser vacinada porque ela estava preocupada com os potenciais efeitos colaterais. Ela mudou de ideia após o surto em Guangzhou, disse, mas a demanda era tão alta, acrescentou, que as autoridades de seu bairro não estavam mais oferecendo ovos ou carona aos locais de vacinação.

“Quero ser vacinada, mas é muito difícil marcar uma consulta agora”, disse Li, de 27 anos, assistente de um produtora de filmes.

Na Província de Guangdong, que abrange Guangzhou, apenas 36% da população foi totalmente inoculada no início de junho.

A China tem um longo caminho a percorrer antes de vacinar totalmente 70% da população, cerca de 980 milhões de pessoas, que as autoridades dizem que esperam alcançar até o fim do ano. Para cumprir a meta, a China aumentou produção das duas principais vacinas em uso, as produzidas pelas empresas Sinovac e Sinopharm. Ambas as vacinas parecem reduzir o risco de covid grave, embora em menor grau do que as vacinas feitas pela Pfizer e Moderna.

Algumas cidades estão mais adiantadas do que outras. Em Pequim, a capital, mais de 80% dos residentes de 18 anos ou mais já tinham sido totalmente vacinados até o meio desta semana. Dada a distribuição desigual e o fato de que a maioria das pessoas não recebeu duas doses, especialistas em saúde chineses alertaram contra o afrouxamento dos controles de fronteira do país, que permanece entre o mais rígido do mundo.

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