Quinta-feira, 11 de junho de 2026

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| Chuva de lixo espacial é algo mais frequente do que se pensa

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Restos de satélites que orbitam no espaço caem sistematicamente na Terra, mas, em 99% dos casos, se desintegram. Crédito: Reprodução

Mais de 600 mil objetos de menos de 10 centímetros e cerca de 20 mil de maior tamanho que orbitam no espaço são restos de satélites e foguetes e colocam em risco as missões espaciais. A cada semana, esses objetos caem sobre a Terra, embora em 99,9% dos casos se desintegrem ao entrar na atmosfera. Precisamente, é raro o que ocorreu em Alicante e Múrcia (sudeste da Espanha), onde foram encontrados restos de ferro-velho espacial procedentes de algum satélite ou foguete.

O último deles apareceu recentemente em um campo agrícola de Elda (Alicante). Era uma peça metálica de 4 metros de comprimento parcialmente calcinada. O objeto, estudado por especialistas em navegação aérea, tinha as bordas metálicas deterioradas pelo impacto contra o solo e foi achado perto de Mula e Calasparra, em Múrcia, onde nos últimos dias também foram encontrados restos de sucata espacial.

Mas até que ponto é normal esta chuva de lixo espacial? Ela é perigosa? O diretor-geral da Elecnor Deimos – uma das principais corporações globais em engenharia, desenvolvimento e construção de projetos de infraestruturas –, Miguel Belló, explicou que hoje há cerca de 17 mil objetos de mais de 10 centímetros orbitando a Terra.

Objetos caem todas as semanas.

Antes ou depois, todos eles atravessarão a atmosfera terrestre porque “o que entra em órbita baixa é freado pela atmosfera até que cai”. “De fato, todas as semanas caem objetos, mas quase todos se desintegram, salvo os que são feitos com material refratário, nuclear ou os grandes acoplamentos”, esclareceu Belló. O acompanhamento que é feito de todos estes objetos é intenso. “Sabemos mais ou menos onde e quando vão cair, mas nunca é alertado por ninguém porque, em 99,9% dos casos, eles se desintegram. De fato, o que ocorreu em Múrcia é raro. O normal é que as peças de lixo se desintegrem ao entrar em contato com a atmosfera”, declarou o executivo.

A Elecnor Deimos faz parte do SST (Space Survillance Tracking), um programa desenvolvido para localizar e supervisionar a trajetória dos resíduos espaciais e alertar os operadores de satélites e as administrações públicas dos riscos de uma possível colisão, assim como das chamadas “reentradas não controladas”.

Risco para os astronautas.

De fato, “há mais probabilidades de você ser atingido por um raio do que sofrer um acidente causado por lixo espacial”, garantiu Belló. Os que, ao contrário, correm os riscos são os astronautas e as missões espaciais, como foi explorado no filme “Gravidade”, com Sandra Bullock e George Clooney retratando essa situação. “A 25 mil quilômetros por hora, uma partícula de uma pintura pode matar, pois perfura o traje, embora o maior perigo ocorra nos satélites”, apontou o executivo. “Nós temos dois operando: o Deimos I e Deimos II, e temos que manobrá-los a cada certo tempo para evitar que se choquem com lixo espacial e sejam perdidas as missões espaciais em função disso”, revelou Belló.

Porém “o risco de colisão com a Terra é muito baixo. Só há dois antecedentes de problemas na história. A queda nos anos 1970 de parte do foguete Cosmos, carregado com energia nuclear, e outro nos Andes, embora em ambos os casos tenham caído em áreas despovoadas. “Temos a nosso favor que três quartos da Terra é de água e só 1% dos continentes está povoado, o que significa que há uma grande probabilidade de não ocorrer nada”, garantiu Belló.

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