Sábado, 08 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 10 de maio de 2020
A China elevou no domingo (10) o nível de risco epidemiológico em Wuhan, depois de descobrir um novo caso de Covid-19, o primeiro em mais de um mês na cidade que foi o berço da doença que surgiu no final de 2019.
Um novo caso de coronavírus foi registrado na grande metrópole do centro do país, particularmente afetada pelo vírus e que permaneceu mais de dois meses em confinamento estrito, anunciou neste domingo a Comissão Nacional de Saúde. Este é o primeiro caso reportado na cidade desde 3 de abril.
O infectado é um homem de 89 anos que mora no distrito de Dongxihu, ao noroeste de Wuhan, segundo as autoridades locais. O nível de risco epidemiológico neste bairro foi elevado de “pequeno” para “médio”.
Wuhan era considerada uma zona de risco “pequeno” desde o fim da quarentena em 8 de abril e as atividades começaram a ser retomadas progressivamente. Os estudantes do último ano do ensino médio retornaram às aulas na quarta-feira — todos de máscaras e respeitando as medidas de saúde estritas — após quatro meses de férias forçadas devido ao vírus.
Além do caso em Wuhan, a China registrou neste domingo 13 novos contágios de Covid-19 em seu território. É a primeira vez desde 1º de maio que o país anuncia um aumento de dois dígitos do número de contaminações em 24 horas.
A maioria dos novos casos aconteceu na região nordeste do país, onde a cidade de Shulan foi colocada em quarentena. A China admitiu que a Covid-19 revelou “lacunas” em seus sistemas de saúde e prevenção de doenças infecciosas, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticava a maneira como Pequim administrou a crise.
Desconfianças sobre a China
Autoridades da China anunciaram a revisão do número de vítimas fatais de Covid-19 em Wuhan, cidade onde a pandemia da doença começou, somando 1.290 mortes à contagem anterior, o que fez com que o número de vítimas fatais na cidade aumentasse 50%. Isso fez com que, no país, o número total de vítimas subisse 40%.
A recontagem, que, segundo as autoridades, corrige “lapsos” na notificação de casos no início da pandemia, fornece combustível a críticos da China no Ocidente, que têm recorrentemente acusado o país de mentir sobre os seus dados oficiais, de suprimir informações e de negligência na gestão da crise em sua origem.
O maior desses críticos é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, muito antes da epidemia, já acirrara uma disputa com Pequim em diversos âmbitos, como o comercial, o tecnológico, o militar e o estratégico.
Desde o começo do surto, Trump, que concorre à reeleição, procura responsabilizar publicamente Pequim pela epidemia. O presidente dos Estados Unidos faz críticas variadas, que vão desde a acusação de que “o vírus é chinês” — afirmação muita vezes considerada racista — a outras mais específicas.
Trump já disse que Pequim demorou a agir para conter os primeiros casos, e omitiu a contagem de vítimas. Mais recentemente, afirmou que o vírus pode ter escapado acidentalmente de um laboratório.
O controle ao livre fluxo de informações, segundo os críticos ocidentais, pode ter sido decisivo para impedir que houvesse a percepção correta do risco da ameaça. A China responde que sua ação foi decisiva para conter um alastramento pior da doença, adotando uma quarentena em uma escala sem nenhum precedente histórico.
Pequim também disse que notificou os Estados Unidos do novo surto de coronavírus em 3 de janeiro e que o Departamento de Estado dos EUA só alertou os americanos que estavam em Wuhan em 15 de janeiro. A demora para agir, segundo os chineses, deve-se unicamente a Washington.
Já a recente atualização do número de casos, afirmam, é um procedimento que se deve a dificuldades para manter os registros atualizados perante o rápido avanço da doença, dificuldade que também enfrentam outros países.
Ambos os lados procuram responsabilizar o outro pela crise sanitária, ao mesmo tempo em que se eximem de qualquer erro decisivo.
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