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Mundo Crise diplomática continua: o embaixador da Argentina no Brasil deixa o País neste domingo

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O governo do Brasil decidiu rebaixar o nível das relações bilaterais com a Argentina. (Foto: Reprodução)

O embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, deixará o Brasil neste domingo (9). A saída do diplomata do País acontece após o Itamaraty decidir rebaixar a relação diplomática com o governo de Javier Milei para o nível de encarregados de negócios.

Fontes diplomáticas argentinas afirmaram à CNN Brasil que o retorno do embaixador está marcado para a manhã deste domingo e que a representação diplomática do país ficará sob responsabilidade da ministra María Emilia Cortés, atual chefe de chancelaria.

Na terça-feira (4), Raimondi recebeu uma nota de protesto do Itamaraty devido à continuidade dos insultos de Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi comunicado do rebaixamento do nível da relação diplomática entre os países.

A crise bilateral, vista como a mais grave desde o retorno da democracia, teve início com a participação de Milei na Convenção Nacional do Partido Liberal, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, no dia 25 de julho.

Durante o ato, em São Paulo, o presidente argentino chamou Lula de presidiário e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.

No dia seguinte, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, para consultas e pediu esclarecimento ao embaixador argentino no Brasil.

Apesar da resposta diplomática, Milei repetiu insultos como “ladrão”, “corrupto” e “presidiário” em entrevistas a veículos argentinos nos dias seguintes, levando à recente decisão do governo brasileiro.

Relações rebaixadas

No início da última semana, o governo do Brasil decidiu rebaixar o nível das relações bilaterais com a Argentina após as sucessivas agressões do presidente Javier Milei contra o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

O Ministério das Relações Exteriores decidiu que o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, não deve regressar à Argentina enquanto as agressões do Milei continuarem. Os insultos foram considerados um desrespeito inaceitável em relações bilaterais.

O Brasil agora será representado no país vizinho por um Encarregado de Negócios, cargo mais baixo que expressa esse rebaixamento diplomático.

Em 26 de julho, o embaixador brasileiro Bitelli foi convocado a voltar a Brasília após Milei xingar o presidente Lula em convenção partidária do Partido Liberal (PL), que indicou o senador Flávio Bolsonaro a disputar a Presidência da República.

Na ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do julgamento que condenou o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, rebateu o Itamaraty, em nota.

Nos dias seguintes à convenção do PL, as agressões de Milei contra Lula continuaram com insultos como “ladrão” e “lixo socialista”. Milei também continuou insultando o STF em manifestações públicas.

Essas reiteradas agressões motivam o Brasil a decidir não enviar de volta à Argentina o embaixador Julio Bitelli. A decisão deve ser mantida enquanto os insultos continuarem.

Por meio de nota divulgada nas redes sociais, o governo da Argentina lamentou a decisão “unilateral” do governo brasileiro, argumentando que ela foi adotada por questões “puramente ideológicas”.

“Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina sustenta hoje”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

O governo brasileiro tem defendido que mantém relações diplomáticas com governos de todos os perfis ideológicos, tendo sido as ofensas o motivo do rebaixamento das relações diplomáticas. As informações são da CNN e da Agência Brasil.

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