Sábado, 29 de agosto de 2026

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Colunistas Ciência sem Fronteiras

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Lula declarou que pretende ressuscitar o programa Ciência sem Fronteiras, cuja objeto era levar ao exterior estudantes de graduação para vivenciar uma experiência em escolas de outros países, ter contato com centros de ensino mais adiantados, e contribuir para o avanço do aprendizado local.

A ideia era boa, mas como em tantos projetos dos governos do PT, se perdeu no mau planejamento, no improviso, na falta de acompanhamento, na completa imprevisão para avaliar o programa em si e os seus resultados.

É do gosto e do costume do PT trazer à tona programas vistosos, do agrado dos possíveis beneficiados, de preferência em momento eleitoral. Na concepção e na prática petista o que conta é a estatística a ser apresentada e não se assegurar de que experiência traga algum proveito ao país ou aos participantes.

Nos redutos do PT, a ênfase é na quantidade, e não na qualidade. Os governos do partido não investem no plano bem estruturado, começo, meio e fim, mas no seu anúncio aos quatro ventos – se ele vai apresentar resultados concretos ou se vai funcionar depois é outra conversa.

O PT tem pressa, urgência para seus projetos. Fazem de cada plano uma bala de prata, a qual vai resolver os dilemas da área. Falta-lhes paciência para organizar melhor, para cuidar dos detalhes, para ligar todas as pontas. Detestam conceitos como eficiência, produtividade – acreditam que esses valores são ardis do capitalismo para melhor explorar os trabalhadores. Não são exigentes quando concedem benefícios – o coração é bondoso quando os recursos vêm do distinto público, isto é, do erário.

Assim, no Ciência sem Fronteiras, se gastou a bagatela de R$ 13.2 bilhões, se mandou ao exterior mais de 100 mil estudantes meio às pressas. No ínterim, quando se viu que as exigências de proficiência de idioma eram pesadas demais, se fez o simples: flexionaram-nas, ao ponto de enviar à Europa e aos Estados Unidos jovens estudantes que mal falavam o português.

Os destinos preferidos dos bolsistas eram – mais do que previsível – Inglaterra, França e EUA, uma espécie de circuito Elizabeth Arden do CsF.

Deu no que deu. Ninguém sabe dizer que impacto o programa causou, os possíveis benefícios para a educação brasileira. E como seria diferente se o Ciência sem Fronteiras não previa uma avaliação posterior, uma contrapartida dos estudantes pela oportunidade que tiveram?

Milhares deles fizeram o estágio de um ano em escolas e faculdades até menos qualificadas do que as que cursavam no Brasil. No retorno, foi como se tivessem feito uma viagem de férias.

Como disse Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o intercâmbio, a internacionalização da ciência, “requer uma estratégia elaborada de longo prazo. Em nenhum país do mundo se baseia só em mandar alunos de graduação para o exterior”.

Se tiver que voltar o Ciência sem Fronteiras que volte. Mas dentro de um projeto de longo curso, estruturado, avaliado antes, durante e principalmente depois pelos resultados. Que o Ciência sem Fronteiras-2, se vier, não receba o mesmo apelido do primeiro, “Turismo sem Fronteiras”.

(titoguarniere@terra.com.br)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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1 Comentário
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Adalberto Meneguzzi
29 de agosto de 2026 14:30

Nada que essa gente maldita faz dá certo!!
Fora esquerda dos infernos!!

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