Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de junho de 2016
Um grupo de pesquisadores do Cancer Research UK, no Reino Unido, descobriu um medicamento que pode reduzir a expansão do tipo mais agressivo de câncer de mama, segundo publicou a revista Oncogene. O composto conhecido como JQ1 altera a reação das células cancerígenas perante a hipoxia, ou falta de oxigênio, um processo que se encontra presente em mais de 50% dos tumores e é mais comum nos cânceres de mama do tipo triplo negativo, o mais difícil de tratar.
Cientistas das universidades de Oxford e Nottingham (na Inglaterra) concluíram em seu estudo que o JQ1 faz com que o tecido cancerígeno deixe de adaptar-se à carência de oxigênio, o que desacelera seu desenvolvimento.
O coautor da pesquisa, Alan McIntyre, afirmou que “o tratamento da hipoxia às vezes compromete o tratamento do câncer de mama e o JQ1 pode ser a chave para ajudar às pacientes desta doença”. Quando este tipo de tumor se acostuma aos níveis baixos de oxigênio, sua biologia se altera e se torna resistente a tratamentos comuns, razão pela qual este novo remédio poderia mudar a forma de combater este câncer, segundo os pesquisadores.
Nell Barrie, do Cancer Research UK, ressaltou que “o estudo mostra como funciona este fármaco”, que “poderia ser uma forma de deter a expansão do câncer”, embora ele ressalte que agora se deve examinar “a efetividade do JQ1 sobre os pacientes”.
Câncer de mama triplo negativo.
O câncer de mama triplo-negativo, representa cerca de 15% de todos os casos de câncer de mama e é considerado o tumor mais agressivo do tipo. Além disso, é o único que ainda não dispunha de uma terapia-alvo, ou seja, um tratamento específico e direcionado, capaz de bloquear os sinais que estão levando ao crescimento anormal das células.
Um teste chamado imuno-histoquímica pode identificar se a membrana das células do câncer de mama tem um receptor chamado HER2 ou se tem receptores de estrogênio e de progesterona. Caso ele dê negativo para esses três tipos de receptores, trata-se de um câncer de mama triplo-negativo. “É um subtipo de câncer mais agressivo, que tem crescimento mais rápido, risco maior de desenvolvimento de metástase e risco de recorrência mais rápida, além de ter predileção para acometer indivíduos mais jovens”, aponta o oncologista Vladmir Cordeiro de Lima. (AG)
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