Sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 25 de setembro de 2017
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Case Western Reserve, nos Estados Unidos, conseguiu descobrir que um novo agente de contraste de IRM (imagem por ressonância magnética) é capaz de detectar o câncer de mama na fase inicial, além de distinguir se o tumor é agressivo ou de lento crescimento, publicou a revista Nature nesta segunda-feira (25).
De acordo com o biomédico e principal responsável pelo estudo, Zheng-Rong Lu, o trabalho poderá ajudar os médicos “a encontrar o tratamento adequado” para cada paciente. Após diversos testes com ratos, os pesquisadores descobriram que o agente de contraste a base de gadolínio é também mais eficiente e seguro do que os agentes tradicionais, pois usa uma dose 20 vezes menor e que o corpo elimina mais facilmente.
Para fabricar esse agente novo, Lu e a equipe combinaram o agente de contraste chamado Gd3N@C80, considerado altamente eficiente, com um peptídeo chamado ZD2, desenvolvido em laboratório pelos próprios especialistas. Eles perceberam que frente ao gadolínio empregado em agentes tradicionais, a estrutura do Gd3N@C80 era “diferente”, porque os íons do gadolínio ficavam presos em uma molécula de fulereno, que se assemelha a uma bola de futebol.
“Essa jaula evita o contato direto entre o gadolínio e o tecido, e o gadolínio não se solta, evitando qualquer tipo de interação com o tecido”, explicou.
Segundo Lu, a tecnologia fundamental no agente de contraste é o peptídeo encostado. No experimento, o ZD2 foi aplicado à superfície da molécula de fulereno e, depois disso, o peptídeo detecta especificamente a proteína do câncer EDB-FN. A EDB-FN, que se associa à invasão de um tumor, a metástases e a resistência aos fármacos, se manifesta altamente na matriz que rodeia às células cancerígenas em muitas formas agressivas de câncer, segundo a Nature.
Ao fazer testes com seis ratos, a IRM identificou o câncer de mama em todos os casos. De acordo com os pesquisadores, o sinal criado pelo acúmulo de moléculas de contraste em três tipos agressivos de câncer de mama era significativamente mais brilhante. Por outro lado, no caso dos cânceres de lento crescimento o sinal permanecia fraco.
Atualmente, a equipe de Lu investiga formas de reduzir o custo da produção desse agente para que se uso se torne atraente para clínicas e hospitais.
América Latina
As mortes por câncer, doença que já é a segunda que mais causa mortes na América Latina, aumentarão 106% até 2030 se mudanças significativas não forem feitas na política sanitária da região, alertou um relatório elaborado pela unidade de inteligência da publicação britânica The Economist.
“Estes resultados nos obrigam a ter uma visão comum para enfrentar o desafio, já que na região há muitas prioridades de saúde e os recursos são limitados”, explicou Irene Mia, autora do estudo e diretora editorial global de liderança de reflexão da The Economist.
Intitulado “Controle de câncer, acesso e desigualdade na América Latina: uma história de luz e sombras”, o texto foi apresentado no Roche Press Day, fórum sobre os últimos avanços da medicina na região em Buenos Aires. Para a elaboração foi feita uma pesquisa dos dados disponíveis em 12 países: Brasil, México, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Chile, Bolívia, Uruguai e Argentina.
De acordo com o relatório, entre 60% e 70% dos pacientes da região já são diagnosticados em estágios avançados da doença. Também aponta que a cada ano 1 milhão de novos casos de câncer entram para a lista e quase 70% das mortes provocadas pela doença ocorrem nas classes média e baixa, o que reflete as desigualdades da região.
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