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Eleições 2026 Operação da Polícia Federal e rachas influenciam corrida ao Senado

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O cenário fluminense passou por uma série de mudanças desde o início do ano, depois que nomes inicialmente escolhidos para a disputa foram atingidos por investigações.

Foto: PF/Divulgação
O cenário fluminense passou por uma série de mudanças desde o início do ano, depois que nomes inicialmente escolhidos para a disputa foram atingidos por investigações. (Foto: PF/Divulgação)

As sucessivas operações da Polícia Federal no Rio de Janeiro e as disputas internas entre partidos alteraram a composição das candidaturas ao Senado no Estado. O cenário fluminense passou por uma série de mudanças desde o início do ano, principalmente no campo político ligado ao bolsonarismo, depois que nomes inicialmente escolhidos para a disputa foram atingidos por investigações.

Na chapa do deputado estadual Douglas Ruas (PL), candidato ao governo do Rio com apoio do senador Flávio Bolsonaro, dois nomes chegaram a ser anunciados para concorrer ao Senado: o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil). Ambos acabaram deixando a corrida após serem alvo de operações da Polícia Federal.

Castro desistiu da candidatura em maio, depois de sofrer pressão dentro do próprio PL. A saída abriu uma disputa interna na legenda para definir seu substituto. O partido levou alguns meses para chegar a um nome e, em julho, confirmou o senador Carlos Portinho (PL-RJ) para tentar a reeleição.

A situação de Canella permaneceu indefinida por mais tempo. O ex-prefeito ainda mantinha a pré-candidatura ao Senado quando foi alvo de uma operação da PF, em julho. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma durante a ação, que investigava um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis.

No início de agosto, Canella anunciou que desistiria da disputa pelo Senado e concorreria novamente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A decisão foi acompanhada pelo desembarque do União Brasil da aliança com Douglas Ruas. A federação formada por União Brasil e PP optou pela neutralidade na disputa estadual.

Com a saída de Canella e a neutralidade dos partidos do Centrão, o PL decidiu montar uma chapa própria. O deputado federal Carlos Jordy foi escolhido para disputar uma das vagas ao Senado ao lado de Portinho. O movimento deixou a chapa de Ruas mais dependente de nomes do próprio PL.

As mudanças também beneficiaram o grupo do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Estado. Com o enfraquecimento da aliança de Ruas, Paes passou a receber o apoio de antigos aliados do grupo adversário, incluindo setores do União Brasil e do PP. Na Baixada Fluminense, região de grande peso eleitoral, a candidatura do ex-prefeito ganhou apoio de nove dos 13 prefeitos locais.

Para o Senado, Paes lançou seu principal aliado político, o deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ). A estratégia do parlamentar combina a construção de uma rede de apoio territorial com uma aproximação ao eleitorado de esquerda, especialmente na capital.

Pedro Paulo tem buscado apoio de prefeitos e lideranças municipais para ampliar sua presença no interior e na Baixada. Ao mesmo tempo, divide palanque com a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), também candidata ao Senado. A parceria aproxima o deputado do campo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A aliança, no entanto, provocou questionamentos devido ao histórico de Pedro Paulo. O deputado foi acusado de agressão contra sua ex-mulher, caso que chegou à Justiça e foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal em 2016. O episódio continua sendo utilizado por adversários durante a disputa eleitoral.

Benedita afirmou que sua trajetória é marcada pela defesa dos direitos das mulheres e que não relativiza casos de violência, mas considera que as questões relacionadas ao passado de Pedro Paulo já foram analisadas pela Justiça.

A disputa pelas duas vagas do Senado no Rio, portanto, chega à reta de definição marcada por mudanças de alianças, desistências e investigações. De um lado, o grupo de Flávio Bolsonaro precisou substituir dois candidatos que haviam sido anunciados inicialmente. De outro, Eduardo Paes ampliou sua base política com a adesão de antigos aliados do adversário.

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