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Mundo Cientistas desenvolvem técnicas para produção de bife com células manipuladas em laboratório

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Proteína de insetos já é utilizada como suplemento alimentar em diversos países. (Foto: Reprodução)

A humanidade vive um dilema: como alimentar a nossa crescente população e evitar a catástrofe climática? De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, na sigla em inglês), os rebanhos são responsáveis por 14,5% das emissões globais de gases do efeito estufa.

“Para produzir um quilo de bife nós gastamos 25 quilos de ração, 112 litros de água e emitimos 88 quilos de carbono. Então, o que a gente precisa fazer? Reduzir ou substituir o consumo de carne”, alerta o professor de Entomologia Arnold van Huis, da Universidade de Wageningen, na Holanda, durante evento no Brasil.

“Para substituir a carne, não dá para coletar da natureza, precisamos cultivar”, frisou van Huis. Para muitos, porém, a ideia de comer insetos pode causar repulsa. Por isso, a proposta não é comê-los in natura, mas em alimentos processados, como farinhas para serem adicionadas a outros alimentos.

Na fronteira da tecnologia, cientistas estão desenvolvendo técnicas para a construção de carne em laboratório, a partir de células de animais. A lógica é a mesma da reprodução “in vitro”, mas com o uso de estruturas para que elas se multipliquem no formato de bife.

Insetos

A produção de um quilo de insetos consome 2,1 quilos de ração, 23 litros de água e emite 14 quilos de carbono equivalente. Van Huis destaca que eles já fazem parte da cadeia global de produção de alimentos, seja na polinização ou no controle biológico de pragas.

A ideia de ter insetos no prato não vem de hoje – e é bem mais antiga do que, digamos, um misto quente. Tribos na África, Tailândia e Austrália têm na entomofagia (nome dado ao ato de comer insetos) uma tradição. No Vale do Paraíba, por exemplo, é tradicional o consumo do içá, conhecida como formiga-tanajura.

A ONU calcula que, hoje, mais de 2 bilhões de pessoas tem dietas baseadas nos bichinhos. Para o especialista holandês, os insetos podem ajudar no caso de escassez de outras fontes de proteínas. Mas também como meios de aliviar o papel de áreas cultiváveis e agropecuária ao redor do globo, responsáveis, por sua vez, por uma série de problemas ambientais.

Entomologista de formação, Arnold trabalhou com a FAO no que é considerada a bíblia do assunto: o livro “Insetos Comestíveis Perspectivas Futuras para a Segurança Alimentar”, publicado originalmente em 2013. Foi o primeiro grande trabalho a debruçar sob o potencial da entomofagia no lugar do consumo de carnes.

“Há uma crise da proteína”, salienta. “A população mundial vai alcançar os 9 bilhões em 2050 e sabemos que as pessoas estão consumindo mais carne. Há 20 anos a média era 20 quilos per capita, agora são 50 quilos e serão 80 quilos daqui a 20 anos. Se continuarmos assim, precisaremos de um outro planeta Terra.”

Arnold é hoje professor emérito do laboratório de entomologia da Wageningen University & Research, na Holanda, e editor-chefe do “Journal of Insects as Food and Feed”.

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