Sábado, 30 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de abril de 2020
Uma equipe de pesquisadores descobriu quais os tipos de células humanas podem ser mais suscetíveis à infecção pelo novo coronavírus.
No início de 2020, cientistas descobriram que o Sars-Cov-2 (Covid-19) explora as mesmas proteínas que o vírus causador da epidemia de Sars (início dos anos 2000): a enzima conversora angiotensina 2 (ACE2), que ajuda o vírus a se ligar às células, e a serina protease tipo II (TMPRSS2).
A descoberta ajuda a identificar como alvos principais do novo coronavírus as células respiratórias e do tecido intestinal.
Em um esforço envolvendo grandes instituições e dezenas de cientistas, a equipe compilou uma enorme quantidade de informações sobre células humanas, de outros primatas e também de camundongos. A análise revelou que apenas uma pequena minoria das células dessas regiões possuem genes que expressam ACE2 e TMPRSS2. Os três tipos principais identificados foram as células pulmonares pneumócitos tipo II, células intestinais enterócitos e as células caliciformes, na passagem nasal.
“Esta pode não ser a história completa, mas definitivamente mostra uma imagem mais precisa do que onde estávamos antes”, explicou o imunologista Jose Ordovas-Montanes. O próximo passo, agora, é descobrir se as proteínas precisam estar necessariamente na mesma célula. Essas respostas também podem ajudar na procura por possíveis medicamentos efetivos no combate à Covid-19.
Mais pesquisas
Pesquisas sobre o coronavírus apontam que o SARS-CoV-2, que causa a covid-19, já deu origem a mais de 30 cepas diferentes. As cepas são alterações morfológicas, uma espécie de evolução do vírus inicial. O estudo foi feito por cientistas da Universidade de Zhejiang e disponibilizada online em uma versão pré-publicação.
Segundo o jornal South China Morning Post, as cepas do coronavírus possuem níveis de carga viral diferentes, o que as tornam mais perigosas. Uma dessas variações pode carregar até 270 vezes mais carga viral. Isso quer dizer que uma pessoa infectada produz 270 vezes a quantidade de vírus que uma pessoa contaminada hoje em dia.
“O Sars-CoV-2 adquiriu mutações capazes de alterar substancialmente sua patogenicidade”, escreveu a epidemiologista Li Lanjuan, responsável pelo estudo, que ainda não foi revisado.
Em março, antes que o estado de pandemia fosse decretado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), cientistas chineses já haviam identificado pelo menos duas cepas do novo coronavírus. A multiplicação de diferentes cepas pode explicar porque alguns casos de covid-19 são mais agressivos. Além disso, também fica mais difícil combater a infecção.
A pesquisa de Li mostra que a versão do coronavírus que se espalhou pela Europa e Nova York era muito mais potente do que aquela que atingiu outras partes dos Estados Unidos, como Washington.
Aqui no Brasil, o genoma do vírus já foi sequenciado algumas vezes. Na primeira vez, o procedimento foi feito para entender qual era sua carga genética.
Outro desses processos, o primeiro feito na Amazônia, revelou que o coronavírus já tem 11 mutações em relação ao que foi sequenciado em São Paulo, em fevereiro deste ano. Isso aponta para a circulação de linhagens diferentes do vírus no país. A amostra do vírus foi feita no dia 16 de março com material colhido de um paciente infectado na Espanha.
A diferença encontrada entre os vírus dentro do nosso país é maior do que as do vírus original de Wuhan, na China, onde foram registrados os primeiros casos da covid-19. Ao todo, foram nove mutações diferentes achadas no coronavírus da Amazônia em comparação ao chinês.
A pesquisa foi feita na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia, em Manaus, e coordenada pelo cientista na área de virologia e biologia molecular, Felipe Naveca.
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