Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de março de 2020
“Testes, testes, testes.” Assim, com a repetição de três pequenas palavras, como um refrão, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, resumiu a postura mais adequada para combater a pandemia de Covid-19 — de mãos dadas com o distanciamento social, impositivo e inegociável. Os testes são vitais para quebrar as cadeias de transmissão, ao separar saudáveis de enfermos, e para organizar o fluxo nos hospitais.
Uma startup de Curitiba, a Hi Technologies, desenvolveu um equipamento que oferece respostas em até quinze minutos — que em breve começará a chegar às farmácias e aos serviços de saúde. Testar, testar e testar é, enfim, o primeiro passo do mais extraordinário movimento científico e médico de toda uma geração, na luta contra a doença respiratória.
A corrida global, para além do compulsório diagnóstico dos doentes, tem duas frentes: a busca por uma vacina e, enquanto ela não surge, o aperfeiçoamento de tratamentos já existentes e a criação de outros remédios. É uma engrenagem emocionante e bilionária (apenas na primeira semana de março, os fundos globais para pesquisa e desenvolvimento de crises arrecadaram 3,5 bilhões de euros, o equivalente a 19 bilhões de reais). A OMS formou um grupo de trabalho global, adequadamente batizado de “Solidariedade”, e não haveria outro nome a lhe dar, de modo a estimular pesquisas cada vez mais aceleradas que abranjam milhares de pacientes, de mais de uma centena de países.
Não seria exagero afirmar que a velocidade dos saltos científicos na batalha contra o microrganismo feito de RNA é inédita na história da humanidade. Três exemplos emblemáticos ajudam a alimentar essa constatação: a plataforma medRxiv, que concentra os estudos científicos antes de sua publicação em reputadas revistas, já soma mais de 300 artigos sobre o novo coronavírus; a Chinese Clinical Trial Registry, agregador de trabalhos clínicos conduzidos na China, reúne 504 pesquisas protocoladas; a ClinicalTrials, o maior banco de dados de ensaios clínicos do planeta, tem 178 registros. E lembremos: passaram-se apenas quatro meses desde o início da eclosão dos casos da nova infecção, na China, em dezembro do ano passado, país que começa a renascer e a respirar. “É uma situação totalmente excepcional em termos de pressão, rapidez e investimento”, diz o infectologista Celso Granato, diretor médico do Grupo Fleury, no Brasil.
O santo graal, o tesouro tão esperado, evidentemente, é a vacina. Mais de trinta empresas e instituições acadêmicas estão na corrida para criar um imunizante. Dessas, ao menos quatro encontram-se na fase de testes em animais, necessária para garantir uma proteção química capaz de gerar anticorpos contra o vírus, e duas — uma nos Estados Unidos e a outra na China — já iniciaram os testes em humanos. A empresa pioneira americana, a Moderna, conseguiu em apenas 63 dias deflagrar os ensaios clínicos. Essa rapidez só foi possível porque, além dos esforços tremendos, os pesquisadores tinham experiência com a elaboração de vacinas para Sars e Mers, também da espécie coronavírus, só que mais letais e menos contagiantes, durante suas respectivas epidemias em 2003 e 2012 — seus produtos, contudo, nunca chegaram ao mercado em decorrência de um descompasso peculiar. Quando ficaram prontos, os surtos já haviam sido contidos e os investimentos necessários para dar continuidade ao trabalho foram suspensos.
Agora é diferente: o conhecimento prévio permitiu a tração, e estima-se o uso experimental, e restrito, da vacina ainda em 2020. No entanto, ela deve ser aprovada apenas dentro de um ano e meio. Há brasileiros no horizonte também. O grupo de pesquisadores do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Universidade de São Paulo (USP) usa uma estratégia inovadora: trabalha com as chamadas “cascas virais”, sem material genético, e, portanto, não infecciosas, para induzir respostas do sistema imune.
No Brasil, trabalha-se com um prazo de entrega da vacina maior que o dos Estados Unidos. A previsão aqui é começar os testes clínicos em menos de dois anos. As informações são da Revista Veja.
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