Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de outubro de 2015
Um estudo mostrou que a gordura branca, o tecido que estoca energia e está associado à obesidade, pode ser transformado na gordura marrom, que faz o corpo queimar calorias. Esse tipo de processo é estudado desde a descoberta das propriedades emagrecedoras da gordura marrom, presente em bebês mas rara em adultos.
Cientistas buscam maneiras de converter um tipo de gordura no outro, mas desencadear esse processo ainda é um desafio.
Um grupo de cientistas da Divisão de Medicina da Universidade do Texas (EUA), porém, mostrou agora que tecidos submetidos a condições extremas de estresse podem desencadear essa transformação.
Estudando vítimas de queimaduras graves, um grupo, liderado pelo cientista Labros Sidossis, analisou como esse processo ocorre sob condições específicas. O resultado do trabalho foi descrito em um estudo na revista científica Cell Metabolism.
Adrenalina e estresse.
Analisando amostras de tecido coletadas de 72 pacientes, os pesquisadores verificaram que regiões de gordura branca passaram a ser infiltradas por pequenos grupos de células marrons, mostrando que a transformação era possível. Foi a primeira demonstração de que era possível a mudança ocorrer mesmo após fim da infância.
Segundo os cientistas, o processo é desencadeado pela adrenalina, hormônio que prepara o organismo para responder a situações de estresse. Vítimas de fogo foram escolhidas para o estudo porque os cientistas já sabiam que queimaduras severas provocam grande liberação de adrenalina.
O mecanismo bioquímico de ação na transformação das células brancas em células marrons de gordura, afirmam os cientistas, tem relação com uma proteína chamada UCP1. É ela que, dentro da gordura marrom, causa a liberação de energia.
Ao ativar dentro das células as mitocôndrias – estruturas celulares que processam energia – a UCP1 faz o organismo gastar calorias apenas para produzir calor, sem que seja necessário empregá-la em movimentação muscular ou outro tipo.
A gordura marrom é muitas vezes referida como a “gordura boa”, já que seu objetivo é ajudar a eliminar calorias e não estocar. Adultos que têm comparativamente mais gordura marrom tendem a aparentar serem mais jovens e esbeltos e têm níveis normais de açúcar no sangue. A gordura marrom é derivada de tecido muscular e é encontrada principalmente em animais em hibernação e recém-nascidos. Ao nos exercitarmos, nós convertemos a gordura branca em uma gordura marrom mais metabolicamente ativa. Quanto mais dela, melhor.
Intervenção farmacológica.
Apesar de terem elucidado esse mecanismo, porém, os cientistas afirmam que ainda não sabem como tentar induzir o processo artificialmente.
“Uma melhor compreensão das vias bioquímicas responsáveis por tornar marrom o tecido adiposo branco subcutâneo pode lançar as fundações para o desenvolvimento de intervenções farmacológicas para prevenir ou atenuar a obesidade e suas complicações metabólicas”, escrevem Sidossis e colegas no estudo.
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