Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de outubro de 2015
Estudar mais de oito horas por dia, debruçar-se sobre livros e abdicar de atividades de lazer e encontros com amigos levam a um desgaste emocional que pode prejudicar muito os aspirantes a uma carreira pública.
Para driblar a ansiedade e o estresse e melhorar a concentração nos estudos, muitos candidatos a concurso então buscando técnicas como hipnose, meditação, leitura dinâmica e serviços de um personal consulting.
São alternativas que caem como uma luva em um meio em que a concorrência não para de crescer, sobretudo neste ano, em função dos tempos difíceis da economia, do aumento do desemprego e do corte de gastos do governo, que levou à suspensão de alguns concursos da esfera federal.
A estimativa é que o número de inscritos em concursos públicos em 2015 tenha aumentado em torno de 30% em relação ao observado em 2014, que foi de cerca de 12 milhões de pessoas, segundo um levantamento feito pela Anpac (Associação Nacional de Proteção e Apoio ao Concurso Público).
E é justamente para aliviar a pressão em meio a essa concorrência pesada que alguns candidatos lançaram mão da indução hipnótica, uma técnica milenar usada por civilizações antigas, como os astecas, maias, persas e gregos, para a cura de doenças.
A prática prega a concentração em qualquer estímulo externo ou interno, como som, imagem, aroma, sabor ou objeto. O foco nesses elementos dispersa os estímulos periféricos e propicia o transe hipnótico e a consequente diminuição da frequência cerebral, o que ajuda na capacidade de aprendizado.
João Henrique Campesino, que recentemente foi aprovado em um concurso para prático da Marinha do Brasil (um dos mais concorridos do País, cujo salário pode chegar a 100 mil reais), procurou a técnica quando estava em um ritmo frenético de estudo.
“Estava buscando algum método alternativo que me ajudasse na preparação. Procurei a hipnose sem acreditar muito nos benefícios. Fiz três meses de sessões e logo percebi a diferença, fiquei mais focado e assertivo nos estudos e também durante as provas. É claro que estudei bastante, mas, sem dúvida, essa técnica foi fundamental para o meu desempenho.”
Outra técnica que vem chamando a atenção dos candidatos a concursos públicos é a leitura dinâmica, que ensina como ler de maneira mais rápida e com compreensão. De acordo com o especialista Juarez Lopes, a média nacional de leitura tradicional não chega a 200 palavras por minuto e, com a prática a velocidade pode chegar a 1 mil palavras por minuto – o que significa ler um livro de 250 páginas em aproximadamente 1 hora e 30 minutos.
Para isso, de acordo com Lopes, basta saber aplicar exercícios sequenciais e repetitivos e introduzir no dia a dia alguns hábitos simples, como postura correta para ler e a utilização da mão para guiar os olhos – o que aumenta a concentração.
Com dificuldade para estudar e se planejar sozinha, Patrícia Reche não hesitou em procurar um personal consulting, uma espécie de personal trainer dos concurseiros. É dele a função de elaborar um diagnóstico do aluno, entender seus pontos fortes e fracos para então definir uma linha estratégica de estudo, de acordo com as necessidades e disponibilidade de cada um.
“O mais importante é a motivação que a gente ganha, porque há muitos motivos para se desanimar. O personal fica a seu lado, te encorajando. Preciso disso para continuar nessa jornada, que não é nada fácil”, ressalta Patrícia, que é formada em odontologia e abandonou tudo para tentar uma vaga no serviço público. (AG)
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