Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de maio de 2026
O recente surto de hantavírus em um navio que partiu da Argentina rumo à África despertou preocupação sobre a possibilidade de uma nova epidemia. A doença, transmitida principalmente pelo contato com fezes, urina e saliva de roedores silvestres infectados, apresenta alta taxa de letalidade. No entanto, a transmissão entre pessoas é considerada rara.
No Brasil, desde a primeira identificação do hantavírus em 1993 até dezembro de 2025, foram confirmados 2.412 casos e 926 mortes. Segundo o Ministério da Saúde, em 2026 já foram registrados sete casos e uma morte pela doença. Nenhum deles, porém, está relacionado ao surto ocorrido no navio.
Como é transmitido
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com fezes, urina e saliva de roedores infectados. A forma mais comum de contaminação acontece quando essas secreções secam no ambiente e partículas contaminadas ficam suspensas no ar, sendo inaladas pelas pessoas, especialmente durante limpezas de locais fechados ou infestados por roedores.
Outra forma de contaminação é caracterizada pela entrada de agentes infecciosos por lesões na pele, como escoriações ou mordeduras de roedores.
Diferente do que se imagina, não são ratos de esgoto comuns (Rattus norvegicus ou Rattus rattus) que transmitem hantavírus. As espécies transmissoras são roedores silvestres nativos, que vivem em áreas rurais: cerca de 70% dos brasileiros com a doença foram infectados na zona rural, segundo o Ministério da Saúde.
Jessica Ramos, médica infectologista do Hospital Sírio-Libanês, destaca que, no Brasil, as espécies reservatórias do vírus são os roedores silvestres nativos:
– Oligoryzomys nigripes (rato-do-mato-de-pés-pretos): principal reservatório do vírus Juquitiba, encontrado principalmente na Mata Atlântica ao longo da costa brasileira.
– Necromys lasiurus: principal reservatório do vírus Araraquara, predominante no bioma Cerrado (savana), Caatinga e Mata Atlântica.
– Akodon montensis, Akodon paranaensis, Akodon cursor: reservatórios secundários de diferentes cepas no Sul e Sudeste.
“Estes roedores habitam áreas rurais, campos, bordas de florestas e áreas de transição entre biomas. A infecção humana ocorre tipicamente em contextos de atividades agrícolas, florestais, limpeza de áreas previamente não utilizadas, construção e atividades que levantam poeira em celeiros e áreas de armazenamento”, afirmou Ramos.
Uma pessoa pode transmitir para outra? No mundo, os casos de hantavírus transmitidos de pessoa a pessoa são raros. Os únicos episódios descritos na literatura médica são transmitidos pela cepa Andes, comum na Argentina e Chile. Ela ocorre por contato respiratório muito próximo com uma pessoa infectada.
Segundo a OMS, o surto no navio que saiu da Argentina com destino a África pode ter ocorrido dessa forma. O primeiro paciente foi infectado fora do navio, em contato com roedores silvestres. Em seguida, já dentro da embarcação, em ambiente fechado, transmitiu o vírus a outros passageiros.
“Dado o ambiente confinado do navio e o contato próximo prolongado entre passageiros, pode ter ocorrido transmissão secundária do vírus Andes. Com incubação média de 18 dias, os passageiros podem ter sido infectados em terra e desenvolvido sintomas apenas durante a viagem”, explicou Jessica Ramos, médica infectologista do Hospital Sírio-Libanês.
Quais são os sintomas? Os sintomas do hantavírus geralmente começam entre uma e oito semanas após a exposição, dependendo do tipo de vírus. Os sinais iniciais podem ser confundidos com gripe ou dengue, incluindo febre, dor muscular e dor de cabeça. O principal alerta ocorre quando surgem sintomas respiratórios, como tosse seca e falta de ar, associados à queda da pressão arterial. As informações são do portal de notícias UOL.
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