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Geral Clima esquenta no G20, e Brasil não avança com diálogo para o fim da guerra na Ucrânia

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O chanceler brasileiro Mauro Vieira se reúne com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, durante encontro do G20, na Índia. (Foto: Reprodução)

O acirramento dos ânimos durante a reunião de chanceleres do G20 em Nova Délhi, com troca de acusações entre Estados Unidos, de um lado, e russos e chineses de outro, eliminou qualquer possibilidade de o Brasil reforçar sua proposta de plano de paz para o conflito entre Rússia e Ucrânia. Com o tom bem acima do que era visto nos últimos dias, não havia clima para discutir, nesta quinta-feira, uma solução pacífica por meio do diálogo.

A avaliação do Brasil é de que, no último dia do encontro de chanceleres das maiores economias do mundo, a receptividade à proposta de criação de um grupo de paz ficou bem abaixo do que foi verificado há uma semana em Munique, na Alemanha, durante a 59ª Conferência de Segurança. A reunião do G20 terminou sem uma declaração final devido às divergências entre atores importantes da comunidade internacional.

Em termos de ganhos políticos para o Brasil, o que houve de concreto foi a confirmação da vinda do chanceler russo Serguei Lavrov a Brasília na segunda quinzena de abril. Lavrov teve uma conversa bilateral com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na última quarta-feira, primeiro dia da reunião do G20.

O governo russo declarou que está analisando o plano proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para tentar mediar a paz na Ucrânia. E o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que precisa da ajuda do brasileiro para que a “Ucrânia seja mais bem compreendida na América Latina”.

O presidente Lula defende a necessidade de falar de paz e se opõe enfaticamente ao envio de armas, munições ou outras tecnologias bélicas ao governo de Zelensky.

Nesta quinta-feira (2), Vieira teve 14 reuniões bilaterais, uma delas com o secretário de Estado americano, Antony Blinken. O chanceler se pronunciou duas vezes no evento. Reforçou a posição do governo brasileiro de que as sanções aplicadas à Rússia de forma unilateral são ilegais e ferem o direito internacional.

“Além de (as sanções) serem ilegais à luz do direito internacional, não ajudam a reduzir a pressão nas cadeias globais de alimentos e nos preços da energia”, afirmou.

Vieira disse que o Brasil voltou a ter voz no âmbito internacional e afirmou que o mundo passa por múltiplas crises – saúde, energia, guerra, entre outras – que não podem ser resolvidos isoladamente por nenhum país. Lembrou que Lula propôs uma parceria global pela segurança alimentar e assegurou que o Brasil está ciente de sua responsabilidade como um dos principais fornecedores de alimentos do planeta. O chanceler também reafirmou o compromisso do Brasil no combate ao aquecimento global.

“Mudança climática, proteção do meio ambiente e desenvolvimento sustentável são prioridades absolutas para o novo governo brasileiro. Prevenir e mitigar os efeitos da mudança climática e reduzir o risco de desastres são, portanto, partes fundamentais e inseparáveis dos esforços para a promover a segurança e o bem-estar da nossa população”, disse Mauro Vieira. As informações são do jornal O Globo.

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