Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de março de 2020
Os Estados unidos são atualmente o país com mais pacientes com coronavírus. Na última contagem, na noite de sexta-feira (27), 100 mil pessoas foram infectadas no país, e as autoridades contabilizam 2000 vítimas do Covid-19. A propagação acelerada da doença é parcialmente explicada por um atraso na tomada de medidas para o confinamento.
O próprio presidente Donald Trump subestimou a gravidade da epidemia, acreditando que sua propagação em solo americano não era “inevitável”, contrariando assim o conselho das autoridades de saúde. Enquanto o país apresentava uma escassez de testes para o diagnóstico de Covid-19, o governo primeiro recusou-se a suspender restrições que impediam os estados de desenvolverem suas próprias medidas contra a pandemia.
Ao mesmo tempo, os primeiros testes disponíveis foram enviados para a sede dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em Atlanta, que os enviou de volta porque estavam com defeito. Essas restrições foram finalmente levantadas em 29 de fevereiro, quando os Estados Unidos anunciaram a primeira morte por Covid-19.
Falta de recursos
O primeiro caso havia sido relatado um mês antes, o suficiente para o estudo e a colocação em prática de medidas, dizem especialistas. “Se pudéssemos rastrear os contatos que as pessoas infectadas tinham, talvez pudéssemos encontrar muito mais casos rapidamente e isolar os locais de alta disseminação”, lamenta o Dr. Gabor Kelen, diretor do departamento de medicina da emergência na Universidade Johns Hopkins.
Os Estados Unidos também pecam na luta contra a doença por falta de meios médicos e decisões locais que às vezes não têm consistência. Se o Estado de Nova York e seus 45.000 casos, com 500 mortes registradas, são o novo epicentro de infecção, Nova Jersey, Califórnia, Estado de Washington, Michigan ou Illinois também estão vendo a doença progredir rapidamente sem resposta nacional clara.
Os Estados Unidos não são um bloco único, existem 50 estados com respostas diferentes de governadores locais e departamentos de saúde pública”, disse, irritado o Dr. Thomas Tsai, professor de saúde pública em Harvard. “Acho que realmente precisamos de um esforço nacional coordenado.” Atualmente, espera-se que apenas 60% das 300 milhões de pessoas nos Estados Unidos permaneçam em casa.
Esses vários fatores suscitam temores de uma onda maciça da epidemia de que as políticas adotadas por Donald Trump não seriam capazes de conter a contaminação pelo coronavírus no país, apesar de uma taxa de mortalidade ainda baixa. A taxa de mortalidade de casos não é tranquilizadora”, disse David Fisman, epidemiologista da Universidade de Toronto. “Aumentará porque as pessoas levam tempo para morrer. Minha previsão é que os Estados Unidos estejam à beira de uma epidemia absolutamente desastrosa”, conclui o médico.
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