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Brasil Com a falta de vacinas, pesquisadores da Fiocruz querem mais restrições para não agravar o problema da pandemia

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Dados da Fiocruz revelam ainda novo aumento da taxa de letalidade, que passou de 3,3% para 4,2%. (Foto: Fiocruz)

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertam para o risco de colapso das redes pública e privada de saúde da região Sudeste nas próximas semanas. Cinco pesquisadores da instituição são unânimes ao afirmar que: “se as medidas restritivas não forem revistas, daqui a 15, 20, 30 dias, o Sudeste vai colapsar”.

De acordo com o grupo, três fatores são determinantes para esse cenário: mutabilidade do vírus, falta de vacinas e medidas restritivas pouco rígidas.

“Se as medidas restritivas não forem revistas, o Sudeste vai colapsar, com pessoas morrendo sem assistência hospitalar, sem leitos”, afirmou um pesquisador da instituição.

Três dos quatro Estados da região Sudeste possuem leitos de UTI para covid-19 com ocupação acima de 85%. O Rio de Janeiro se encontra com 78,8% de ocupação de UTI. Já as capitais Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, estão com ocupação de UTI para covid-19 em 89,2%, 91% e 88,4%, respectivamente.

“A negação nos trouxe até onde estamos agora. A ciência precisa ser respeitada. Só vamos conter esse vírus com vacinas e medidas restritivas e como não temos vacinas para todos e não teremos por mais alguns meses, os governantes precisam avaliar e impor medidas mais duras e as pessoas precisam respeitar. O uso de máscara não é um favor, é obrigação. Os hospitais estão lotados. Não é uma doença que escolhe classe social e não faz diferença estar em hospital público ou particular porque não haverá leitos e não vai ter respiradores para todos. As pessoas precisam entender isso.”, alerta outra cientista.

Os pesquisadores defendem que enquanto a vacina não chegar em larga escala para uma imunização em massa, a única medida efetiva para conter a transmissão do vírus é a restrição de circulação.

“Não temos e não teremos vacinas para todos agora. E no momento em que o País, como um todo, está no pior cenário desde o começo da pandemia, o lockdown salva vidas sim e é necessário. Não no Estado todo, mas em municípios que estão numa situação mais grave. E a cada 10 dias a medida deveria ir sendo reavaliada.”, defendeu uma das  pesquisadoras.

Uma projeção do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (ICICT/Fiocruz), aponta que se a campanha de vacinação seguir no ritmo atual, o Rio de Janeiro levará mais de dois anos para conseguir imunizar toda sua população contra a covid-19. A plataforma, que atualiza seus dados diariamente, estima que o processo levará ao todo 764 dias — ou dois anos, um mês e quatro dias. No Estado do Rio foram vacinados até agora 5,62% da população.

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