Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de novembro de 2021
As elevações da Selic, a taxa básica de juros, já interromperam os cortes nos juros de algumas linhas de crédito imobiliário e aumentarão as taxas cobradas em outras linhas do setor, segundo o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Mas, ainda que o cenário econômico tenha se tornado mais turbulento, a situação do banco é tão confortável que há espaço para aumentar os dividendos pagos ao Tesouro Nacional, afirmou o executivo em entrevista ao Valor.
Em setembro, ao anunciar redução nos juros do crédito imobiliário com taxa atrelada à poupança, o presidente da Caixa afirmou que aquela era uma “primeira calibrada”. Agora o cenário é diferente. “A partir do momento em que a pressão inflacionária continuou, [novos cortes] não têm viabilidade”, diz.
O cálculo é feito com base nas regras de remuneração da poupança: com a Selic em até 8,5% ao ano, o rendimento desses recursos fica em 70% da taxa básica de juros mais a taxa referencial (TR). Quando supera os 8,5% anuais, o rendimento equivale a 6,17% ao ano mais a variação da TR.
Guimarães destaca que as linhas de crédito imobiliário atrelado à poupança ou ao Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) só “são atrativas” quando a Selic está abaixo de 5% ao ano. Nas ocasiões em que a taxa básica de juros está entre 5% e 6% ao ano, a atratividade é “neutra”. Por fim, quando a Selic supera os 6% anuais, o crédito mais atrativo é aquele cujas parcelas são corrigidas pela TR, modalidade que ficou conhecida como “TR mais”.
Atualmente, a taxa básica de juros está em 7,75% ao ano, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou nova alta de 1,5 ponto percentual para a reunião de dezembro. Além disso, afirmou que considera “ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance ainda mais no território contracionista”. Ou seja: continuará elevando a Selic.
Assim, está em curso uma “mudança na composição” do crédito imobiliário, com o mercado “voltando ao funding de ‘TR mais’”, segundo Guimarães. Mas ele chama a atenção para o fato de curvas longas de juros dessa modalidade estarem “mais altas”, o que exerce “uma pressão” e fará com que a Caixa também eleve as taxas que cobra na linha. “Vamos seguir o mercado, com tranquilidade”, afirma.
Essa conjuntura ainda favorece a linha de crédito imobiliário com taxa de juros prefixados, lançada em fevereiro do ano passado. “É a melhor de todas, como estamos vendo neste momento, mas teve baixíssima adesão”, diz o presidente da Caixa.
Mesmo com o cenário fiscal cada vez mais turbulento, com impactos sobre inflação, taxas de juros e atividade econômica, Guimarães mantém o discurso otimista para o desempenho da economia em 2022. Segundo ele, tanto os modelos econômicos da Caixa quanto as demandas da instituição financeira apontam para alta de “pelo menos” 2% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem. As informações são do jornal Valor Econômico.
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