Sexta-feira, 19 de junho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Geral Com crescimento “chinês”, Bangladesh reduz miséria em 80% e vira exemplo mundial inesperado

Compartilhe esta notícia:

Entre 1990 e 2022, Bangladesh tirou quase 30 milhões de pessoas da pobreza absoluta, conforme os dados do Banco Mundial. (Foto: Reprodução)

Logo depois de Bangladesh conquistar sua independência do Paquistão, em 1971, numa guerra sangrenta que levou a vida de cerca de três milhões de pessoas, segundo dados oficiais, Henry Kissinger (1923-2023), então Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, referiu-se à nova nação como um “caso perdido”.

Um dos países mais pobres do mundo na época, com cerca de 80% da população vivendo na miséria, de acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), Bangladesh parecia condenado ao subdesenvolvimento. Mas, meio século depois de sua criação, Bangladesh deixou para trás a imagem de país com pobreza endêmica, assolado pela fome, e se tornou um dos exemplos mais notáveis e inesperados de redução da miséria nas últimas décadas em todo o mundo.

Entre 1990 e 2022, Bangladesh tirou quase 30 milhões de pessoas da pobreza absoluta, conforme os dados do Banco Mundial. O número de pessoas vivendo na miséria, com menos de US$ 2,15 por dia, em valores de 2017 ajustados pelo custo de vida do país, caiu de 43,8 milhões para 16,4 milhões, num período em que a população cresceu 60%, para 171,2 milhões.

Em termos relativos, o contingente vivendo na pobreza extrema também teve uma queda significativa, de 45,8% para 9,6% da população, colocando Bangladesh à frente da Índia, onde a taxa, segundo o Banco Mundial, alcançava 11,9% em 2022 – a do Brasil, em 2021 (último dado disponível), era de 5,8% .

“Os esforços de Bangladesh para reduzir a pobreza dariam um livro”, disse Jim Yong Kim, ex-presidente do Banco Mundial (2012-2019), durante visita ao país quando ainda estava no comando da instituição. “Bangladesh é um exemplo de quão rápido um país pode emergir das profundezas da miséria.”

É certo que, de 1990 a 2022, a desigualdade teve um ligeiro aumento em Bangladesh. Além disso, quando se leva em conta uma renda um pouco maior, de US$ 3,65 por dia ajustada pelo poder de compra, a fatia da população enquadrada na categoria, considerada como de pobreza moderada, chega a 40%, índice que salta para 83% quando a renda considerada é de US$ 6,85 por dia. Isso revela os desafios que o país ainda tem pela frente, mas não ofusca o resultado extraordinário obtido no combate à miséria desde a sua independência.

Oitavo país mais populoso do mundo, localizado numa extensa planície e sujeito a ciclones violentos e cheias dos grandes rios que atravessam seu território e desaguam na Baía de Bengala, Bangladesh também desenvolveu um sistema de alertas e uma rede de abrigos que ajuda a proteger a população dos desastres naturais, melhorando a qualidade de vida na região.

Tudo isso se deve, principalmente, ao crescimento econômico do país nas últimas décadas. Com um crescimento em ritmo chinês, de 5,6% ao ano, em média, entre 1990 e 2022, Bangladesh foi um dos países que mais cresceram no período. No acumulado de 1990 a 2022, o PIB cresceu quase 15 vezes, de US$ 31,6 bilhões para US$ 460,2 bilhões, alçando Bangladesh ao posto de 41.ª maior economia global. Mesmo em tempos de turbulências generalizadas, como na crise de 2008 no mercado americano de hipotecas, que reverberou pelo mundo, e na pandemia, a economia do país teve um desempenho bem acima da média mundial.

Com o crescimento acelerado, o PIB per capita chegou a US$ 2,7 mil em 2022, nove vezes mais do que em 1990 e 21 vezes mais do que há 50 anos, quando era de apenas US$ 128 (R$ 640) em valores atualizados. Nos valores ajustados pelo poder de compra, o PIB per capita cresceu 7,4 vezes desde 1990, para US$ 7,4 mil, saltando das últimas posições do ranking mundial para o 126.º lugar entre 189 países, conforme os números do FMI e do Banco Mundial. Em 2015, graças a essa performance, Bangladesh deixou a lista dos países menos desenvolvidos para integrar o grupo de renda média baixa.

O crescimento do país teve como grande motor a indústria de vestuário para exportação, introduzida no país nos anos 1980 pelo grupo coreano Daewoo e impulsionada pelo governo, ao reduzir tarifas de importações feitas pelo setor. Hoje, Bangladesh se tornou o segundo maior exportador de roupas prontas do mundo, como agasalhos, camisetas, camisas e calças feitos principalmente de algodão, atrás apenas da China. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Geral

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Procissão de Navegantes lidera turismo religioso em Porto Alegre. Celebração será nesta sexta
Donald Trump pode perder mais da metade dos eleitores se for julgado culpado por seus crimes
Pode te interessar