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Brasil Com críticas sobre sua articulação política, Bolsonaro revê estratégia e chama partidos para conversar

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O presidente eleito, Jair Bolsonaro, desembarcou nesta terça-feira (4) em Brasília para iniciar uma rodada de conversas com as bancadas partidárias. Após um mês do governo de transição, ele terá esta semana os primeiros encontros com representantes partidários, quando já tem definidos 20 dos seus 22 ministros. Trata-se de uma mudança na estratégia que vinha sendo adotada até então.

Inicialmente, Bolsonaro se reuniu apenas com bancadas temáticas, como fez com a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), com os evangélicos e com os parlamentares ligados à área da saúde. Desses encontros saíram nomes com os de Tereza Cristina, para Agricultura, e de Luiz Henrique Mandetta, para Saúde.

Montado o primeiro escalão, o presidente eleito vai mudar a estratégia para conquistar o apoio necessário para aprovação de projetos no Congresso. As primeiras conversas acontecem nesta terça, com as bancadas do MDB e do PRB.

Na véspera do encontro, o senador Romero Jucá (MDB-RR), presidente do MDB, escreveu nas redes sociais que a legenda manterá independência em relação ao governo a partir de 1º de janeiro.

“A partir de 1º de janeiro, o MDB manterá uma independência ativa. Apoiando medidas que buscam o crescimento do país, gestão eficiente e responsabilidade fiscal. No curto prazo não faremos oposição nem seremos base, discutiremos caso a caso”, escreveu.

Jucá, que não se reelegeu senador, afirmou ser natural que parlamentares de seu partido conversem com Bolsonaro.

Os encontros ocorrem após queixas de parlamentares de que não estavam sendo recebidos por representantes do próximo governo. Até o momento, nenhum dos partidos declarou que vai compor oficialmente a base do próximo governo. O PSL, partido de Bolsonaro, saltou de 8 deputados para 52 nas eleições de outubro. No Senado, a legenda contará com quatro parlamentares.

Bolsonaro vinha evitando encontros partidários para evitar críticas de que dará continuidade ao governo de coalizão, no qual o Executivo distribui cargos em troca de apoio no Legislativo.

Ao longo da campanha presidencial, ele criticou o modelo político adotado pelas gestões anteriores e venceu nas urnas prometendo aos eleitores pôr fim ao toma lá dá cá.

Apesar do discurso e da definição de praticamente toda estrutura ministerial, com exceção de Meio Ambiente e Direitos Humanos, parlamentares tentam ainda emplacar seus aliados nas estruturas de segundo e terceiro escalões do próximo governo.

Além dos encontros de terça, Bolsonaro receberá as bancadas do PR e do PSDB, na quarta (5). A ideia é que ele dê continuidade aos encontros na próxima semana, para a qual estão previstas agendas com o DEM e o PSB, por exemplo.

O futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, deve participar das reuniões. Ele será um dos responsáveis pela articulação do Executivo com o Legislativo. Onyx dividirá a tarefa com o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que chefiará a Secretaria de Governo.

Ele escalou um grupo de parlamentares que não foram reeleitos para auxiliá-lo nas conversas com o Legislativo no ano que vem. Entre eles estão o deputado Leonardo Quintão (MDB-MG) e Carlos Manato (PSL-ES).

O próximo governo terá pela frente o desafio de aprovar no Congresso projetos considerados impopulares como as reformas da Previdência e tributária, fortemente defendidas pela equipe econômica.

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