Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de fevereiro de 2019
O ano começa animador para o setor imobiliário. A retomada do crédito com recursos da poupança e o aumento expressivo de lançamentos de imóveis de médio e alto padrão em 2018 apontam para um retorno da classe média ao mercado.
Em 2018, o volume financiado para aquisição ou construção de imóveis interrompeu três anos consecutivos de queda e avançou 15%, segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
O grande impulso veio do salto de 33% nos valores financiados com recursos da poupança, o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), para R$ 57,4 bilhões. O setor vinha sendo sustentado mais pela demanda no programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida.
Já com recursos do FGTS, muito usado no Minha Casa, Minha Vida, o crescimento em 2018 foi de somente 2%, para R$ 60 bilhões – patamar de desembolso que segue em níveis históricos altos. A projeção da associação, porém, é de queda de 5% neste ano.
“O FGTS foi fundamental nos anos de crise. Mas ele tem uma característica de fundo, de recursos limitados. O SBPE volta a ter o papel que sempre teve no mercado, de puxá-lo, ainda que sobre uma base baixa”, afirmou Gilberto Duarte de Abreu Filho, presidente da Abecip, ao divulgar os resultados do setor. No auge, em 2014, os desembolsos do SBPE chegaram a R$ 113 bilhões.
Cristiane Magalhães, diretora de crédito imobiliário do Itaú Unibanco, diz ser positivo ver o avanço do mercado em um segmento “mais livre”. “É um movimento mais natural e menos induzido”, afirma. O financiamento imobiliário no banco subiu 5,8% em 2018.
Para este ano, a Abecip projeta mais um crescimento de 20% do SBPE, a R$ 69 bilhões. “Essa é uma estimativa diante de um cenário intermediário de incerteza. Não sabemos se as reformas serão aprovadas”, disse Abreu Filho. Ele se refere especialmente à reforma da Previdência, considerada pelo mercado financeiro passo fundamental para um ajuste fiscal do País.
A perspectiva de que as contas públicas entrem nos eixos ajudou a derrubar os juros de longo prazo, medida importante para a composição das taxas imobiliárias nos bancos. Há cerca de seis meses, antes das eleições, contratos com vencimento em 2029, por exemplo, tinham taxas a 12%. Hoje, estão em 9%.
“Vai fazer muita diferença para o mercado o que acontecer com essas taxas. Se as reformas passarem, elas vão cair e o apetite dos bancos e de toda a economia aumentam”, disse o presidente da Abecip.
Os dados da associação consideram crédito para a compra de imóveis prontos. Mas o crescimento expressivo de lançamentos voltados para a média e a alta rendas indica que incorporadores já antecipam alta da demanda também nos estandes de vendas.
Lançamentos para essa faixa avançaram 54% nos 12 meses até novembro, último dado da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), na comparação com igual período de 2017. Os lançamentos dentro do MCMV subiram menos, 24%, mas ainda são 75% das novas unidades no mercado. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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