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Mundo Com mercado nervoso na Argentina, candidato que pode ser eleito presidente do país no domingo, promete não mexer nos depósitos em dólares a que os argentinos têm direito

Cartazes do candidato Alberto Fernández, pela aliança entre peronistas e kirchneristas Frente de Todos, são pichados em Buenos Aires. (Foto: Reprodução)

Em meio ao que economistas locais consideram uma perigosa corrida ao dólar, o candidato Alberto Fernández, cuja vitória na eleição presidencial de domingo é apontada pela maioria das pesquisas , assegurou em um de seus últimos atos de campanha que “os argentinos devem ficar tranquilos porque vamos cuidar suas poupanças, vamos respeitar seus depósitos em dólares”.

Mas o ambiente não é de tranquilidade e, entre agosto e setembro, a compra de dólares aumentou 70%, indicam dados oficiais. Do total de compradores, cerca de 66% adquiriram uma média de mil dólares.

Os bancos estão lotados de pessoas comprando dólares no mercado oficial – com cotação abaixo do paralelo – e, também, de correntistas retirando dólares de suas contas e guardando em casa ou cofres bancários. O temor é grande e explica a declaração explícita do candidato peronista: “Não fiquem nervosos. E digo mais: devem estar confiantes porque graças a Deus os que armaram este desastre irão embora”.

Mas os traumas financeiros são grandes entre os argentinos e que um candidato à Presidência diga que não mexerá nos depósitos em dólares para muitos é um alerta justamente de que isso poderia acontecer.

Em janeiro de 2002, com o fim caótico da dolarização da moeda feita em meados dos anos 1990, o ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003) assumiu o poder dizendo que “quem depositou dólares receberá dólares” e sua promessa foi impossível de ser cumprida. Os argentinos sofreram um confisco bancário e nunca recuperaram os dólares que tinham depositado e tampouco os que haviam destinado a compras de bônus da divida nacional.

Anos depois, Duhalde se arrependeu publicamente de ter dito a famosa frase, que já é parte da Historia política e econômica da Argentina. Por isso, a declaração de Fernández de que os depósitos em dólares serão respeitados quatro dias antes da eleição gerou diversas sensações, mas em nenhum caso calma.

“Não entendemos por que fez isso sabendo como nosso país é sensível nesse aspecto”, lamentou uma fonte do governo Mauricio Macri.

A realidade é que nesta quinta-feira, uma dia depois de o Banco Central ter injetado quase US$ 500 milhões no mercado para conter a cotação da moeda americana, o dólar voltou a subir e bateu 63 pesos. Segundo o economista Amilcar Collante, “a situação do mercado cambial é insustentável”.

“Sem dúvida estamos diante de uma corrida ao dólar. A expectativa do mercado é de vitória contundente de Fernández e já se especula com a implementação de medidas para restringir ainda mais a compra de dólares (hoje o limite para pessoas físicas é de US$ 10 mil mensais)”, disse.

Na visão do economista Martín Tetaz, “o governo (Macri) está resistindo como pode”.

“O futuro imediato dependerá das declarações e anúncios de Alberto Fernández. O dólar está sofrendo maior pressão porque as pessoas e o mercado já consideram um fato a eleição de Fernández”, concluiu Tetaz.

Nesta quinta, todos os candidatos argentinos encerraram suas campanhas.

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