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Brasil Com mudança climática, Brasil precisa repensar agronegócio, dizem especialistas

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Relatório do IPCC alerta para aumento do desmatamento e consequências para a Amazônia

Foto: Op Verde Brasil
Relatório do IPCC alerta para aumento do desmatamento e consequências para a Amazônia. (Foto: Op Verde Brasil)

Diante do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), divulgado na manhã desta segunda-feira (09), especialistas  concordam que o papel que o Brasil precisa assumir diante do cenário de crise ambiental inclui mudanças na maneira como é conduzido o agronegócio.

As razões não são apenas ecológicas — são também econômicas. Conforme o físico Paulo Artaxo, pesquisador na Universidade de São Paulo (USP) e uma das maiores referências mundiais sobre aquecimento global, o relatório indica que no “Brasil central o aumento da temperatura pode chegar a 4 ou 5°C nas próximas décadas”. “São mudanças muito fortes que podem inviabilizar o agronegócio como temos hoje”, ressalta. “O Brasil precisa olhar com muito cuidado as conclusões do relatório do IPCC.”

Estudos recém-publicados já vinham sugerindo isso. Trabalho realizado pela engenheira ambiental Rafaela Flach, da Universidade Tufts, nos Estados Unidos — publicado pela revista World Development — estimou em mais de 3,5 bilhões de dólares por ano os prejuízos da indústria da soja por conta do calor elevado. Segundo o trabalho dela, a produtividade do grão cai 5% a cada dia com temperatura acima de 30ºC.

Em maio, a revista Nature publicou outro trabalho que seguia a mesma toada. De acordo com os pesquisadores, entre eles o engenheiro florestal Argemiro Teixeira Leite Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais, a estiagem decorrente do desmatamento já implica em gastos anuais adicionais de 1 bilhão de dólares por ano para a agropecuária realizada na região sul da chamada Amazônia Legal.

Amazônia

O X da questão é a Amazônia. Com o avanço descontrolado da agropecuária para terras antes ocupadas pelo bioma, a floresta brasileira gradativamente deixa de ser um grande sumidouro de dióxido de carbono e se torna um emissor do gás.

“No caso brasileiro, não é tanto negacionismo climático, como se vê em outros países grandes como Estados Unidos e Austrália, mas sobretudo desconhecimento”, acredita o biólogo Mairon Bastos Lima, pesquisador no think tank sueco Instituto Ambiental de Estocolmo. “As coisas muitas vezes são apresentadas como ocorrendo dentro da sua variabilidade natural, como sendo fruto do El Niño ou de alguma outra dinâmica que se tenta explicar, mas o que este relatório do IPCC reafirma é precisamente que o clima do planeta não está dentro da sua variabilidade normal.”

“Talvez haja menos um negacionismo e mais um receio em contar ao público brasileiro que mais de 70% das emissões brasileiras provêm da agropecuária ou do desmatamento”, acrescenta.

O relatório mais recente do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, iniciativa do Observatório do Clima, mostra que em 2019 quase a metade de todas as emissões brasileiras vieram do desmatamento. Esses dados haviam caído de 2004 e 2010, e voltaram a subir a partir de 2012. “A agropecuária, por si só, mesmo excluindo as emissões pelo desmatamento, ainda emite mais do que toda a indústria brasileira e transpor somados”, calcula Lima.

O relatório IPCC apresenta o risco dos chamados “eventos de alto risco e baixa previsibilidade”. Um deles está na Amazônia. “É onde o desmate reduz a evapotranspiração, que por sua vez compromete ainda mais as chuvas”, explica Lima. “Isso pode fazer com que a floresta entre num ciclo autodestrutivo. Menos árvores, menos chuva, e se transformar numa savana. É o chamado ‘forest dieback’, que este relatório pela primeira vez explicitamente reconhece.”

“Para o Brasil já não basta zerar emissões, mas remover o que está na atmosfera. E, a floresta amazônica precisa ser protegida urgentemente, pois ela é um dos grandes sumidouros naturais de carbono do planeta. É necessário zerar o desmatamento e favorecer os serviços ecossistêmicos para reduzir nossa vulnerabilidade diante das mudanças climáticas”, comenta o engenheiro florestal Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil.

“Se passarmos do ponto de não-retorno no qual esse processo tem início, as consequências são gravíssimas”, acrescenta o Lima. “A Amazônia está diretamente envolvida no chamado Sistema de Monção da América do Sul, que gera as chuvas — das quais dependem muito da agricultura e das hidrelétricas brasileiras — do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil de novembro a março. O relatório do IPCC aponta que esta região pode experimentar um aumento de temperatura até duas vezes maior que a média global. Então o problema diz respeito a nós muito diretamente.”

tags: Brasil

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12 Comentários
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Juliano Soares
9 de agosto de 2021 19:30

Pior que a terra foi forjada a fogo, mas não tenta explicar para quem nunca leu um livro.

Henrique Bass
9 de agosto de 2021 13:02

🐄🐄🐄🐄🐄

Rodrigo Felipe Assmann
9 de agosto de 2021 11:04

Não existe comprovação científica definitiva sobre mudanças climáticas.

Henrique Bass
9 de agosto de 2021 13:02

🐄🐄🐄🐄🐄

Rodrigo Felipe Assmann
9 de agosto de 2021 11:06

Querem atacar nossa única alternativa possível de se desenvolver. Por que a China, EUA e Europa não fazem a parte deles.

Henrique Bass
9 de agosto de 2021 13:02

🐄🐄🐄🐄🐄

Jose Lovatto
9 de agosto de 2021 11:40

Logo logo aparecerá um especialista indicando que o Brasil deixe de plantar.

Eron Zaniboni
9 de agosto de 2021 19:04

Reslmemte em dois anos Bolsonaro ja devia ter resolvido o problema climático.

Novededos Silva
9 de agosto de 2021 15:16

Sai carcaça….!!!

Cezar Roldão Schuaste
9 de agosto de 2021 13:23

Sabe nada mimizento

Adroaldo Mousquer
9 de agosto de 2021 12:28

Este governo só tem um pensamento: reeleição. Não tem plano algum.

Novededos Silva
9 de agosto de 2021 15:15

Parem de falar merda…..
O Brasil não ocupa nem 30% de área para o Agronegocio…!
Este discurso esquerdopata é só para ferrar com a imagem do Brasil lá fora….!!!

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