Segunda-feira, 05 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de janeiro de 2026
Com o aperto da taxa básica de juros, a desaceleração da economia brasileira já ficou evidente no segundo semestre de 2025. No terceiro trimestre de 2025, o PIB cresceu apenas 0,1% na comparação com o segundo trimestre. Nos últimos três meses do ano, o desempenho do PIB deve ser parecido, próximo da estabilidade.
No maior patamar em quase 20 anos, a Selic ajuda a explicar a desaceleração da economia, porque encarece o consumo das famílias e o investimento do setor privado. Em dezembro, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi mantida em 15% ao ano.
O ciclo de aperto monetário começou no fim de 2024 num momento de elevada incerteza com o rumo da política fiscal do Brasil – dólar chegou a bater em R$ 6,30, e as projeções de inflação ficaram distantes da meta, que é de 3%.
O cenário externo também teve bastante i mpacto no câmbio este ano. Houve um enfraquecimento mundial do dólar diante das políticas econômicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“O Banco Central colocou a Selic em 15% em junho ( de 2025) e sinalizou estabilidade até agora. Isso está produzindo os seus efeitos por meio de vários canais. E o primeiro canal é o do câmbio. O câmbio saiu de R$ 6,18 e veio para R$ 5,40, principalmente devido à desvalorização do dólar frente às grandes moedas, mas o Banco Central teve um papel de reancorar as expectativas”, afirma Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil.
Cortes
A maior parte dos analistas prevê que o início de corte da taxa básica de juros ocorra em março. No relatório Focus, do Banco Central, os economistas consultados estimam que a Selic vai encerrar este ano em 12,25%.
“Acredito que 2026 vai ser o ano em que o Banco Central vai estar mais isolado no combate à inflação comparado ao que vimos nos últimos anos”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Segundo ele, o câmbio não vai ajudar como ajudou, assim como a inflação de alimentos. Vai depender do esforço dele de trazer (a inflação de) serviços para baixo, completa.
“Houve uma apreciação forte do câmbio em 2025 e é difícil dizer se isso se repetirá em 2026 com o cenário eleitoral”, acrescenta.
Serviços
Ao longo de 2025, as expectativas para a inflação melhoraram diante da dura atuação do Banco Central. A valorização do real e a boa safra agrícola, por exemplo, ajudaram na inflação de alimentos.
No entanto, o índice de preços de serviços segue pressionado por causa do mercado de trabalho bastante aquecido. No trimestre encerrado em outubro, a taxa de desocupação foi de 5,4%, a mais baixa já registrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), cuja série histórica começa em 2012.
Em 2026, o desemprego médio do Brasil deve ser de 5,9%, de acordo com o Itaú.
No trimestre encerrado em outubro, a massa de salários em circulação na economia também renovou patamar recorde, totalizando R$ 357,265 bilhões, um aumento de R$ 3,292 bilhões em apenas um trimestre.
Em 2026, os analistas esperam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 4,1% – abaixo dos 4,36% esperados para 2025. Os dois números estão dentro do intervalo da meta de inflação, que vai até 4,5%.
“Estamos vendo uma inflação de serviços que cai pouco. Por isso, o IPCA também cede pouco e fica na casa dos 4%”, diz Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.